Cigarro também engorda, principalmente as mulheres

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Tem pessoas que dizem que não param de fumar porque têm medo de engordar. De fato, após largar o vício, muitos acabam ganhando alguns quilos porque a sensação é que o paladar volta à ativa e a pessoa volta a sentir o sabor da comida. Um dos grandes tabus em relação à abstinência de cigarro, o medo de ganhar peso pode ser enfrentado com eficiência e resultados positivos, garante a psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e diretora da EspaçoClif, clínica especializada no tratamento de dependência química, como nicotina.

Há, porém, estudos que mostram justamente o contrário: que os fumantes acabam ganhando peso. Os resultados apontam que o vício pelo cigarro também engorda, especialmente as mulheres. Segundo o artigo publicado na revista científica Obesity, os pesquisadores descobriram que as mulheres fumantes anseiam alimentos gordurosos mais frequentemente do que as que não fumam, e que o desejo por cigarros e por comida estão relacionados de tal forma que, quanto mais elas querem o cigarro, maior é o desejo por carboidratos e alimentos ricos em gordura.

De acordo com um estudo da Universidade de Washington, o cigarro dificulta a percepção do sabor de alimentos açucarados e gordurosos, comprometendo a sensação de saciedade por esses produtos.  O cigarro causa um bloqueio sensorial, quase uma anestesia do setor olfatório e do setor gustativo, devido a uma ação direta e local da fumaça, da nicotina e do cigarro na cavidade bucal.

A psicóloga Michele Pereira Martins, do Núcleo de Saúde Mental da Comissão das Especialidades Associadas (Coesas), conta que a obesidade, assim como o tabagismo envolve fatores psicológicos, sociais, comportamentais e biológicos. “Estudos apontam que as influências sociais como o estresse, por exemplo, são mais relevantes do que fatores relacionados com a personalidade para explicar os motivos que levam as pessoas a fumar e também a ter episódios de compulsão alimentar”, informa.

O Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, comemorado nesta quarta-feira (31), serve como alerta para os fumantes, especialmente, para os que estão acima do peso. Recentemente, a obesidade foi incluída na longa lista de males provocados pelo cigarro.  O combate ao tabagismo – considerado uma doença crônica do sistema nervoso central, caracterizada pela dependência ao consumo de tabaco – é uma campanha que tem o apoio da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

De acordo com o presidente da SBCBM, Caetano Marchesini, muitos pacientes obesos e fumantes optam pela cirurgia bariátrica para melhorar a sua qualidade de vida. “A obesidade atinge 53,8% da população brasileira, de acordo com o último levantamento do Ministério da Saúde. Neste universo de pessoas obesas, encontramos muitas que são fumantes e candidatos a cirurgia bariátrica”, lembrou Marchesini.

O presidente da SBCBM explica que o paciente tabagista com obesidade mórbida necessita passar por uma avaliação detalhada do seu quadro clínico antes de ser operado. “O cigarro prejudica a cicatrização e é um fator agravante para qualquer tipo de cirurgia, inclusive para a cirurgia bariátrica. A grande maioria dos pacientes obesos possuem dificuldades respiratórias que, com o uso consumo de cigarro, são agravadas”, reforça Marchesini.

A nutricionista Tamires Precybelovicz,  integrante do núcleo de Saúde Alimentar da Comissão de Especialistas Associados (COESAS) da SBCBM, ressalta que a nicotina reduz o diâmetro dos vasos sanguíneos, dificultando a distribuição de oxigênio e nutrientes para as células. “Outro fator negativo causado pelo cigarro é que ele aumenta a acidez do estômago, podendo causar gastrites e úlceras. No pós-operatório, como parte do estilo de vida necessário para manutenção do peso perdido, parar de fumar será sempre a melhor opção”, finaliza Tamires.

Riscos para quem vai fazer bariátrica

Os cirurgiões que integram a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) recomendam aos pacientes tabagistas que deixem de fumar por um período de, no mínimo, 60 dias antes da cirurgia bariátrica. Além disso, a avaliação clínica, psicológica, nutricional, física e de fisioterapeutas é fundamental. A equipe multidisciplinar trabalha de forma integrada para tratar o tabagismo, seja no ponto de vista comportamental ou com o uso de medicamentos por parte dos pneumologistas ou psiquiatras, se necessário.

A psicóloga relata que todos os esforços da equipe multidisciplinar responsável pela avaliação do paciente no pré-operatório são no sentido de cessar o tabagismo. “Devido ao risco de complicações – principalmente cirúrgicas no pós-operatório imediato –  é fundamental a cessação do tabagismo”, informa Michele, que atua em contextos de Saúde, Obesidade, Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Já o acompanhamento psicológico pós-cirúrgico tem como enfoque maior a prevenção de recaídas e os aspectos fisiológicos mediante a substituição da nicotina.

No âmbito da fisioterapia, as recomendações seguem a mesma linha. A fisioterapeuta e conselheira do Núcleo de Saúde Física e Reabilitação das COESAS na SBCBM, Juliana Frazotti, conta que a abordagem pré-operatória ao paciente tabagista é diferenciada. “Explicamos que ao cessar o fumo ocorre a redução das complicações respiratórias e anestésicas. Além disso, ocorre a melhora das condições do organismo para uma boa cicatrização, impedindo internamentos prolongados”, explica Juliana Frazotti.

Os profissionais de fisioterapia realizam exercícios respiratórios para melhorar a oxigenação e promover a higiene brônquica (retirada de secreções pulmonares) dos pacientes tabagistas antes do procedimento. “Também indicamos exercícios para manutenção da circulação e reabilitação motora para permitir e encorajar o paciente a abandonar o sedentarismo”, reforça a fisioterapeuta e integrante do Núcleo de Saúde Física e Reabilitação da SBCBM, Carolina Boeira Vargas. Segundo ela, a reabilitação, aliada ao suporte psicológico adequado, possibilita ao paciente passar pela cirurgia em melhores condições.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) e Espaço Clif, com Redação

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