O ator norte-americano James Van Der Beek, eternizado pelo papel de Dawson Leery na série adolescente “Dawson’s Creek”, faleceu nesta quarta-feira (11), aos 48 anos. O astro enfrentava um câncer colorretal, diagnosticado em 2023, e teve sua morte confirmada pela esposa, Kimberly Van Der Beek, 42, em um comunicado emocionante nas redes sociais. Kimberly destacou a coragem e a serenidade do marido em seus últimos dias. Os dois eram casados há 15 anos e têm seis filhos, Olivia, 14, Joshua, 12, Annabel, 11, Emilia, 8, Gwen, 6, e Jeremiah, 4.

A partida precoce do ator acende um alerta global sobre a incidência desse tipo de tumor em adultos jovens.  O diagnóstico de James ocorreu após uma colonoscopia de rotina, realizada mesmo sem sintomas aparentes. Em entrevistas anteriores, o ator confessou que desconhecia que a idade recomendada para o rastreio havia caído para os 45 anos, um reflexo direto do aumento de casos em faixas etárias mais jovens.

Aumento alarmante entre adultos jovens

No Brasil, a partida da cantora Preta Gil no ano passado, aos 50 anos, já havia colocado o tema em evidência. Agora o falecimento de Van Der Beek reforça um alerta global sobre a mudança no perfil epidemiológico do câncer de cólon e reto.

No Brasil, o cenário é igualmente preocupante.  Segundo as estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o câncer colorretal já é o terceiro mais incidente no país.  São esperados 53.810 novos casos da doença a cada ano, um crescimento de 10,4% em relação ao triênio anterior (2023-2025).

câncer colorretal chama atenção por figurar entre os mais incidentes em ambos os sexos (10,5% em mulheres e 10,3% entre os homens), reforçando a urgência de ampliar ações de prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.

Casos em jovens crescem e acendem alerta para diagnóstico precoce

A tendência observada no caso de Van Der Beek contraria a percepção tradicional de que o câncer atinge majoritariamente populações mais velhas.  Especialistas observam que tumores de mama, tireoide e intestino estão “rejuvenescendo”.

Segundo o médico oncologista da Unimed Araxá, Gabriel Simões, o número de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos tem aumentado consistentemente, alterando a forma como médicos encaram o rastreamento.

Para o especialista, o fenômeno está associado a uma combinação de fatores contemporâneos. “Pesquisas apontam a associação entre obesidade, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados e exposições ambientais como elementos importantes para explicar esse aumento”, afirma o Dr. Gabriel Simões. Embora a evolução dos métodos diagnósticos ajude a identificar a doença mais cedo, ela não justifica sozinha a tendência crescente nessa faixa etária.

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Sintomas do câncer colorretal: quando acender o alerta

Embora muitas vezes silenciosa em estágios iniciais, a doença pode dar sinais. Segundo o oncologista Artur Ferreira, os pacientes devem estar atentos a:

  • Alterações persistentes no hábito intestinal (diarreia ou constipação);

  • Sangue nas fezes e dores abdominais;

  • Perda de peso sem motivo aparente e fadiga extrema;

  • Sensação de que o intestino não foi totalmente esvaziado após a evacuação.

Diagnóstico precoce é a principal arma para a cura

Dados recentes apontam que o diagnóstico em pacientes com menos de 50 anos cresceu significativamente. Esse fenômeno, também observado em outros tipos de neoplasias (como mama e tireoide), tem levado autoridades de saúde a anteciparem exames preventivos. 

A boa notícia é que, se detectado precocemente, o câncer colorretal apresenta altas chances de cura. O exame de colonoscopia é fundamental pois permite identificar pólipos antes mesmo que eles se tornem malignos.

Os especialistas reforçam que o estilo de vida moderno é o principal fator de influência. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados, alto consumo de carnes vermelhas, sedentarismo e tabagismo são os maiores vilões. “O rastreamento precoce é o que diferencia o sucesso do tratamento”, conclui Ferreira.

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A urgência da prevenção com mudanças no estilo de vida

O Dr. Gabriel Simões reforça a necessidade de ampliar políticas de prevenção e de promoção de hábitos saudáveis desde cedo. “Esse cenário exige um olhar mais atento para pessoas jovens, porque o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para aumentar as chances de sucesso no tratamento”, conclui o oncologista.

A partida precoce de Van Der Beek, assim como ocorreu com a cantora Preta Gil no ano passado, serve como um lembrete de que a atenção aos sinais do corpo e a manutenção de exames de rotina são cruciais, independentemente da idade.

Com Assessorias

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