O Dia Nacional da Mamografia (5 de fevereiro) chega em 2026 com um novo fôlego para a saúde pública brasileira. Mais do que uma data de conscientização, este ano marca a consolidação de uma mudança histórica no Sistema Único de Saúde (SUS): a ampliação do acesso ao exame para mulheres na faixa dos 40 aos 49 anos, sem a necessidade de sintomas prévios.
A medida atende a um pleito antigo da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e mira um dado alarmante: cerca de 25% dos tumores de mama são detectados justamente nessa idade.
A atualização das diretrizes do Ministério da Saúde, implementada no final de 2025, não apenas antecipou o início do rastreamento, mas também estendeu o olhar para as mulheres mais velhas. A idade limite para a convocação ativa passou de 69 para 74 anos.
A mudança é sustentada por números. Segundo a pesquisa Vigitel 2024, embora o Brasil tenha atingido a marca de 91,9% das mulheres (50-69 anos) que já realizaram a mamografia em algum momento da vida, a frequência anual ainda é baixa. Apenas 33% do público-alvo realiza o exame com a regularidade necessária.
A mamografia feita de forma ocasional perde seu efeito protetor. O desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos”, alerta Gustavo Machado Badan, presidente da Comissão de Imagem da SBM.
O gargalo entre o diagnóstico e o tratamento
No Rio de Janeiro, o cenário exige pressa. O estado mantém índices críticos de incidência e mortalidade, ocupando o segundo lugar no ranking nacional. De acordo com o Dr. Bruno Giordano, presidente da SBM-RJ, o principal inimigo ainda é o tempo.
Muitas pacientes ainda descobrem a doença em estágios III e IV (avançados), o que reduz as chances de cura e exige intervenções agressivas. Para Giordano, é vital que o sistema respeite a Lei dos 60 Dias, garantindo que, após o diagnóstico pela mamografia, o tratamento comece imediatamente.
Realidade em São Paulo
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Infraestrutura: O estado possui a maior rede de mamógrafos (1.523 aparelhos).
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Ociosidade: Parte dos equipamentos opera abaixo da capacidade por falta de adesão das pacientes ao longo do ano.
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Espera: O tempo médio para a realização do exame chegou a ser de 43 dias em 2025, evidenciando que a gestão do fluxo é tão importante quanto a oferta tecnológica.
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A SBM reforça que o diagnóstico precoce proporcionado pela mamografia é o que define o futuro da paciente. Quando o tumor é identificado em fase inicial (estágios I e II), a chance de cura chega a 95%, e o tratamento pode ser muito mais brando, muitas vezes preservando a mama e evitando a quimioterapia.
Além do rastreamento, os especialistas lembram que o combate à doença é multidisciplinar. Hábitos saudáveis — como atividade física regular, alimentação balanceada e controle do consumo de álcool — são pilares que devem caminhar juntos com o exame radiológico.
Nesta noite, o Congresso Nacional recebe iluminação especial para lembrar que a mamografia não é apenas um exame de rotina, mas a política pública mais eficaz para salvar milhares de brasileiras todos os anos. A data também celebra o Dia do Mastologista no Brasil.
Fontes e pesquisas oficiais:






