A busca pela “marquinha perfeita” para exibir nos dias de sol e no Carnaval ainda leva muitas pessoas a buscarem métodos rápidos e perigosos. O bronzeamento artificial, realizado em câmaras de radiação ultravioleta (UV), é uma prática proibida em todo o território nacional há mais de 15 anos. O alerta ganha força com a chegada das altas temperaturas: o que é vendido como estética, na verdade, é um dano celular profundo.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reforça que não existe nível seguro de exposição nessas máquinas. Segundo a superintendente estadual de Vigilância Sanitária, Helen Keller, o bronzeado nada mais é do que uma resposta de defesa do organismo a uma agressão. O dano ao DNA das células pode não ser visível de imediato, mas os efeitos costumam se manifestar anos depois.

Os riscos invisíveis por trás do espelho

O uso dessas câmaras tem efeito carcinogênico comprovado. Além do câncer de pele — incluindo o melanoma, sua forma mais agressiva —, a exposição à radiação UV artificial acelera o envelhecimento precoce, causando manchas e rugas profundas, além de queimaduras e lesões oculares graves.

Dados do INCA/DataSUS revelam que, entre 2019 e 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou mais de 15 mil novos casos de câncer de pele. Grande parte desses diagnósticos está associada à exposição acumulativa à radiação ao longo da vida, onde cada sessão de bronzeamento artificial atua como um acelerador da doença.

A saúde em uma visão integrada

É fundamental compreender este cenário sob a ótica do conceito de One Health (Saúde Única). A saúde humana não está isolada; ela é intrinsecamente conectada ao ambiente em que vivemos. As mudanças climáticas e o aumento da incidência de radiação solar nociva já desafiam a resiliência da nossa pele.

Ao optar por fontes artificiais de radiação, sobrecarregamos o sistema biológico com agressões desnecessárias que impactam o bem-estar coletivo e o sistema público de saúde. Proteger a pele é, portanto, um ato de preservação da nossa saúde em harmonia com o meio ambiente.

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Fiscalização contra a oferta clandestina no pré-Carnaval

Com a proximidade das festas populares, cresce a oferta irregular desses serviços. Estabelecimentos costumam camuflar a prática com nomes como “terapia de luz” ou “bronzeamento seguro”, utilizando redes sociais e mensagens privadas para captar clientes.

A Vigilância Sanitária estadual e municipal mantém fiscalização constante para combater essa atividade clandestina. A população pode colaborar denunciando anúncios suspeitos por meio da Ouvidoria da SES-RJ ou pelo telefone 0800 025 5525.

Como garantir o bronzeado de forma segura

Para quem não abre mão da estética dourada no verão, existem alternativas que não comprometem a saúde e não utilizam radiação:

  • Autobronzeadores e maquiagem corporal: Produtos cosméticos que reagem com a camada superficial da pele sem causar danos celulares.

  • Bronzeamento a jato: Técnica que utiliza substâncias seguras aplicadas por spray.

  • Exposição solar consciente: Sempre com fotoproteção adequada e fora dos horários de pico de radiação (entre 10h e 16h).

Lembre-se: a beleza consciente é aquela que respeita os limites do corpo e garante qualidade de vida para o futuro.

Fonte: SES-RJ

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