Em 2009 e 2010, o Brasil não escapou da pandemia da primeira pandemia do século 21 que atingiu 214 países. Pelo menos 53.797 brasileiros foram contaminados com o subtipo H1N1 da Influenza A, que ficou conhecido como gripe suína, por ter sido originalmente detectado em porcos no México. Esta semana, o fantasma volta a assustar.
Divulgado nesta quinta-feira (1º/6), o Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta para um aumento do número de casos em adultos associados ao vírus influenza A, sendo majoritariamente por H1N1. Nas últimas quatro semanas (23 de abril a 20 de maio), 31% dos casos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em pessoas a partir de 15 anos estavam associados ao vírus influenza A, sendo o H1N1 a maioria dos subtipados.
Coordenador do InfoGripe, o pesquisador Marcelo Gomes destaca que o cenário que já vinha se desenhando durante o mês de abril , na população a partir de 15 anos consolidou-se em maio. No mês de março, cerca de 9% foram influenza A, subindo para 22% em abril. Enquanto isso, o Sars-CoV-2, vírus da Covid-19, saiu de 80% dos casos positivos em março para 53% nas últimas quatro semanas nesse mesmo público.
Já nas crianças, principalmente na faixa até os dois anos, segue desde o mês de abril a manutenção do crescimento significativo de novos casos semanais e de internações por Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos como resultado positivo para vírus respiratórios foi de: influenza A (17,8%); influenza B (6,9%); VSR (45,7%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (23,5%). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos foi de: influenza A (20,9%); influenza B (12,3%); VSR (10,4%) e Sars-CoV-2/Covid-19 (51,7%).
Referente à Semana Epidemiológica (SE) 20, de 14 a 20 de maio, a análise tem como base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 22 de maio.
Saiba como fica a incidência por estados e capitais aqui.
Pandemia de gripe suína matou 200 mil no mundo
A pandemia de gripe suína matou pelo menos 200 mil pessoas, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) calculou que esse número pode ter chegado a 545,4 mil no primeiro ano de circulação do novo subtipo de H1N1. Em todo o mundo, estudos científicos apontam que entre 700 milhões e 1,7 bilhão de pessoas tenham contraído o novo vírus.
Um estudo do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP), feito com base nos dados do Ministério da Saúde, aponta que, em 2009 e 2010, foram notificados 105.054 casos no Brasil, dos quais 53.797 (51,2%) foram confirmados como sendo do novo subtipo de H1N1. Deste total de casos confirmados, 98,2% ocorreram em 2009. A maioria dos casos era de pacientes crianças, adolescentes e jovens adultos.
Um estudo liderado pelo médico Antonio Nassar Junior e publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva em 2010, o número de casos foi provavelmente muito maior do que apontam os dados oficiais. A pesquisa destaca que, como passaram a ser testados apenas os pacientes em estado grave a partir de dado momento, muitas pessoas com sintomas leves podem não ter sido diagnosticadas.
Com informações da Agência Fiocruz e da BBC Brasil
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