O som do primeiro choro de um bebê é, para muitas famílias, o início de uma jornada de esperança. No Brasil, essa jornada tem se tornado cada vez mais segura. De acordo com o novo relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado pelas Nações Unidas nesta terça-feira (17), o país alcançou um marco histórico: as menores taxas de mortalidade neonatal e em crianças menores de cinco anos das últimas três décadas.
Os números contam uma história de transformação. Em 1990, o cenário era alarmante: a cada mil crianças nascidas, 25 perdiam a vida antes de completar 28 dias. Em 2024, esse número recuou para 7 a cada mil. Quando olhamos para a probabilidade de morte antes do quinto aniversário, o avanço é ainda mais nítido, caindo de 63 mortes por mil nascidos vivos em 1990 para 14,2 atualmente.
O poder das políticas de base
Essa vitória não é fruto do acaso, mas de um conjunto de políticas públicas que colocaram o cuidado no centro da estratégia nacional. Programas como a Saúde da Família, a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde e a expansão da rede pública foram os pilares que garantiram assistência desde o pré-natal até os primeiros anos de vida.
Para Luciana Phebo, chefe de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, o sucesso reside no investimento em ações práticas. “Essa mudança foi possível porque o Brasil escolheu investir em políticas que funcionam, como a vacinação e o incentivo à amamentação”, explica. O impacto é humano e econômico: estima-se que cada US$ 1 investido na sobrevivência infantil gere até US$ 20 em benefícios sociais e econômicos para o futuro.
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Apesar da celebração, o relatório traz um ponto de atenção: o ritmo de queda está perdendo força. Entre 2000 e 2009, a redução da mortalidade neonatal no Brasil era de 4,9% ao ano. Na última década, esse índice caiu para 3,16%. Globalmente, a desaceleração é ainda mais drástica, superando os 60%. O desafio agora é alcançar as populações mais vulneráveis, onde o acesso à saúde ainda é fragmentado.
Desafios na juventude: violência ameaça meninos
O estudo também lança luz sobre a faixa etária entre 5 e 24 anos. No Brasil, o perfil das perdas muda drasticamente com a idade e o gênero. Em 2024, a violência foi a causa de quase metade (49%) das mortes de meninos entre 15 e 19 anos. Já entre as meninas da mesma idade, as doenças não transmissíveis lideram as estatísticas (37%), seguidas por doenças transmissíveis e o suicídio (10%).
Esses dados reforçam que a proteção à vida deve ser contínua, adaptando-se às necessidades de cada fase do desenvolvimento. O caminho para cumprir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030 exige que o Brasil e o mundo voltem a acelerar, garantindo que o direito de crescer e prosperar não seja interrompido por causas que a ciência e a gestão pública já sabem como prevenir.
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Um retrato dramático da desigualdade global
Apesar do otimismo brasileiro, o cenário mundial ainda é atravessado por sombras profundas. Em 2024, aproximadamente 4,9 milhões de crianças até 5 anos morreram no planeta. O dado mais alarmante é que a grande maioria desses óbitos decorreu de causas evitáveis ou que demandavam tratamentos de baixo custo.
Quase metade dessas mortes (2,3 milhões) ocorreu no período neonatal, causadas principalmente por prematuridade (36%) e complicações durante o parto (21%). Enquanto o Brasil avança, o mundo olha com preocupação para a África Subsaariana e o Sul da Ásia, que concentram a maioria dos óbitos por causas que poderiam ser evitadas com tratamentos de baixo custo, como o combate à pneumonia, malária e complicações no parto.
A geografia da mortalidade revela um abismo social:
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África Subsaariana: Concentrou 58% de todas as mortes de menores de cinco anos no mundo.
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Sul da Ásia: Responsável por 25% dos óbitos globais.
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Contraste: Regiões como Europa e América do Norte representaram apenas 9% do total, evidenciando o acesso desigual a intervenções básicas de saúde.
Com informações da ONU Brasil

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