Diagnosticado com apneia obstrutiva do sono severa em sua última internação no luxuoso no Hospital DF Star, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre 27 anos e três meses de cadeia por liderar a trama golpista de 8 de janeiro de 2023, não está sozinho. A condição de Bolsonaro reflete um problema de saúde pública de proporções massivas no país.
Dados recentes apontam que cerca de 3 a cada 10 brasileiros sofrem de apneia do sono, o que representa aproximadamente 30% da população adulta. Em estudos específicos, como os realizados em São Paulo, a incidência pode chegar a 33% dos adultos.
A apneia do sono é um dos três distúrbios do sono mais prevalentes entre os brasileiros – os outros são insônia crônica e síndrome das pernas inquietas. de acordo com estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que apontam que 72% dos brasileiros sofrem de doenças relacionadas ao sono.
Estima-se que a grande maioria dos afetados pela apneia do sono não saiba que possui a doença. Se não tratada, a doença pode levar a complicações sérias de saúde, incluindo problemas cardíacos.
Uso de equipamentos para dormir
Embora 49 milhões de brasileiros tenham algum grau do distúrbio, apenas 6% dos que precisam conseguem utilizar o CPAP (Continuous Positive Airway Pressure), equipamento essencial para tratar a apneia obstrutiva do sono severa,, equipamento de alto custo e que demanda manutenção constante.
Entre as recomendações médicas para Bolsonaro após a alta hospitalar e o retorno à na Superintendência da Polícia Federal de Brasília, está o uso contínuo de CPAP. O aparelho é considerado o tratamento padrão-ouro para apneia moderada a grave, muito eficaz, mas exige adaptação e uso contínuo. Ele funciona ao manter as vias aéreas abertas com uma leve pressão de ar contínua, permitindo que você respire normalmente ao dormir.
O CPAP impede a obstrução das vias aéreas durante o repouso, garantindo a oxigenação adequada. O uso do aparelho exige cuidados redobrados, como o risco de quedas durante a noite, o que foi citado pelos médicos como um ponto de atenção na cela.
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Especialista explica uso do equipamento
A pneumologista Fernanda Miranda explica o uso do aparelho recomendado para Bolsonaro na pós-alta hospitalar. “O CPAP, que é um aparelho com máscara que sopra ar continuamente no nariz ou boca para manter as vias aéreas abertas, cirurgias para casos selecionados, e estimulação do nervo hipoglosso, que é um implante de um dispositivo que estimula os músculos da língua para não colapsar durante o sono;
Durante o sono, o CPAP empurra o ar com leve pressão para manter a garganta aberta, evitando os colapsos que causam pausas respiratórias (apneias)”, detalha.
Lorena Arruda destaca a prática do CPAP. “É um equipamento de pressão positiva que mantém as vias aéreas abertas, facilitando a respiração e prevenindo as interrupções respiratórias durante o sono. Ele deve ser conectado a uma máscara que cobre o nariz ou nariz e boca e, ao ser acoplado no rosto do paciente, promove a melhor passagem de ar. Em alguns casos, quando a apneia é muito grave e culmina com uma queda brusca da oxigenação, pode ser indicado ao paciente o uso do BIPAP, equipamento semelhante ao CPAP, mas com dois níveis de pressão”.
Sobre a duração do uso do aparelho ela pontua que varia de acordo com cada paciente. “O tratamento da apnéia através do CPAP pode ser curto, em torno de 60 dias, para casos onde houver a perda de peso brusca melhorando a passagem do ar devido a redução do acúmulo de gordura em via aérea alta, como é o caso dos pacientes bariátricos. Mas, em sua maioria, os pacientes que são diagnosticados com apneia do sono, devem seguir o tratamento de forma regular, rotineira e contínua”, ressalta.
Outros tratamentos para apneia do sono
Há diferentes tratamentos para apnéia, explica a médica, ao destacar que a abordagem pode envolver mudanças de estilo de vida, uso de aparelhos ou cirurgia. “Em casos leves a moderados, a perda de peso, evitar álcool e sedativos, parar de fumar e dormir de lado já ajudam. Há também aparelhos intraorais (placas ou próteses), que são dispositivos que empurram a mandíbula levemente para frente, facilitando a passagem do ar”.
Ela explica que o diagnóstico de apneia geralmente é feito por meio de uma polissonografia. “Que vai identificar o grau de gravidade e direcionar o tratamento”, pontua. Ela destaca que em alguns casos o problema tem cura.
Por exemplo, quando uma pessoa obesa que emagrece muito pode eliminar completamente a apneia. Crianças com amígdalas aumentadas podem se curar após cirurgia, mas em muitos casos é uma condição crônica que exige tratamento contínuo. Mesmo assim, o tratamento costuma melhorar muito a qualidade de vida e prevenir complicações graves”, completa.
Com especialização em terapia respiratória, ela também ressalta a extensão do problema. “A apneia do sono é um distúrbio respiratório onde a respiração é interrompida repetidamente durante o sono. Essas interrupções causam a fragmentação do sono, normalmente acompanhadas pelo ronco, levam à sonolência excessiva diurna e dificuldade de concentração. Causam complicações cardíacas, pressão alta, diabetes e outros distúrbios metabólicos”.
Ela fala sobre algumas dessas complicações. “Fadiga e sonolência diurna, problemas cardiovasculares como hipertensão arterial, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e arritmias cardíacas. Pode provocar diabetes tipo 2, ganho de peso, problemas cognitivos e de humor, dificuldades de concentração, perda de memória, irritabilidade, ansiedade e depressão são comuns. Pode afetar a qualidade de vida e os relacionamentos. Além de disfunção sexual e complicações durante cirurgias, pois pessoas com apneia podem ter maior risco em procedimentos com anestesia, devido à dificuldade de manter as vias aéreas abertas”.
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Mitos e verdades sobre a Apneia Obstrutiva do Sono
Mais que um distúrbio do sono, a apneia obstrutiva ameaça a saúde e a qualidade de vida
EXISTEM APARELHOS / DISPOSITIVOS QUE TRATAM A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO DE FORMA DEFINITVA
MITO
Não. Os aparelhos e dispositivos que existem no mercado e tratam a apneia do sono conseguem controlá-la de uma forma temporária e não definitiva. Eles só têm efeito positivo no quadro da síndrome durante a sua utilização. Nos horários e nos períodos nos quais os usuários não conseguem utilizá-los, não haverá efeito algum sobre os episódios de apneia durante o sono.
Dentre estes aparelhos disponíveis no mercado encontram-se o CPAP (Pressão Positiva Contínua sobre as Vias Aéreas), o qual é utilizado para aumentar a pressão do fluxo de ar na via aérea durante a sua utilização e o aparelho do ronco, que projeta o osso mandibular para frente durante o sono, promovendo um aumento parcial temporário da via aérea posterior e da passagem do ar para os pulmões durante a sua utilização devido à projeção temporária para anterior dos tecidos moles que envolvem esta região.
Há que se comentar aqui que este último precisará ser indicado mediante a avaliação prévia da saúde das articulações do osso mandibular, pois, em articulações degeneradas, deterioradas ou que tenham as suas cartilagens (meniscos) deslocadas, este aparelho tenderá a agravar e piorar os sinais e sintomas destes distúrbios que acometem as articulações, os chamados distúrbios têmporo mandibulares (DTMs).
NÃO EXISTE TRATAMENTO DEFINITIVO PARA A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO:
MITO
Existe sim tratamento definitivo para a apneia obstrutiva do sono. A cirurgia ortognática, ao promover um avanço no sentido horizontal de forma definitiva dos ossos maxilar e mandibular do paciente afetado, aumenta o espaço aéreo posterior de forma considerável a ponto de eliminar por completo a obstrução dos tecidos moles posteriores que compõe a via aérea.
Estes tecidos avançam conjuntamente aos ossos avançados e posicionam-se para sempre em uma região mais anterior, eliminando na maioria das vezes por completo o bloqueio da via aérea causador da apneia obstrutiva do sono pelo bloqueio da passagem do ar para os pulmões durante o sono.
A CIRURGIA ORTOGNÁTICA PARA TRATAMENTO DA APNEIA DO SONO É SUPER AGRESSIVA E DE ALTA MORBIDADE
MITO
A cirurgia é realizada sob anestesia geral, porém, a modernidade das drogas anestésicas e dos materiais de fixação óssea fazem com que atualmente ela seja um procedimento cirúrgico altamente seguro e com recuperação relativamente rápida.
DEPRESSÃO, LETARGIA, CANSAÇO, TRISTEZA, CEFALÉIAS, CONFUSÃO MENTAL, SONOLÊNCIA DIURNA, FRAQUEZA SÃO SINAIS E SINTOMAS ASSOCIADOS À SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO (SAOS)
VERDADE
Sim, a falta de oxigenação cerebral e, consequentemente, a falta de oxigenação a nível corporal, provocam sinais e sintomas que atrapalham e incapacitam parcialmente ou até totalmente a rotina diária das pessoas atingidas por esta síndrome
PROBLEMAS CARDÍACOS PODEM SER DESENCADEADOS PELA APNEIA DO SONO
VERDADE
Sim, a síndrome aumenta a pressão arterial, pois, faz-se necessário que o coração bombeie o fluxo sanguíneo com mais força para que seja possível que o oxigênio chegue a todas as extremidades do corpo. Portanto, este aumento dos batimentos cardíacos manifesta-se diretamente em um aumento importante das medições da pressão arterial.
O EMAGRECIMENTO RESOLVE A SÍNDROME DA APNÉIA DO SONO
MITO
Não. Pode até resolver parcialmente e de forma temporária, porém, o bloqueio da via aérea posterior não se dá por excesso de peso, mas, sim, por um bloqueio da passagem do ar na via aérea por uma questão anatômica: o retrognatismo esquelético (posicionamento para trás) dos ossos maxilar e mandibular da face do paciente, o qual faz que todos os tecidos moles da região (pele, gordura, músculos etc.) também estejam posicionados para trás.
CIRURGIAS OTORRINOLARINGOLÓGICAS CORRIGEM A SÍNDROME DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO
MITO
Não. Elas podem promover uma melhora parcial por aumentarem a circulação de ar em alguma porção das vias aéreas, porém, não conseguem resolver nem tratar a síndrome de forma definitiva porque não tem a capacidade de desbloquear o espaço aéreo inferior posterior reduzido e atrofiado causado pelo retro posicionamento dos ossos maxilar e mandibular. Este retro posicionamento ósseo somente poderá ser completamente solucionado através do avanço definitivo destes ossos promovido pela cirurgia ortognática.
Com Assessorias







