Estamos, de fato, diante de um aumento real de casos?
O aumento dos diagnósticos está muito relacionado ao avanço da ciência, com melhores ferramentas e maior compreensão do desenvolvimento infantil. Além disso, fatores ambientais e do estilo de vida moderno ainda estão sendo estudados e podem ter influência, embora não estejam totalmente esclarecidos”, afirma.
Mais informação, diagnósticos mais precisos
É cada vez mais comum ouvir falar sobre o aumento de diagnósticos de TEA, tanto entre adultos quanto entre crianças. De acordo com dados da Answer ThePublic, o termo “autismo” e “autismo e TDAH” são pesquisados cerca de 6.600 vezes por mês, o que revela uma crescente busca por informações e suporte sobre essa condição.
Décadas atrás, no entanto, o TEA era pouco compreendido, o que levava a diagnósticos errados ou à ausência deles. Receber um diagnóstico de autismo pode ser um momento desafiador para muitas famílias, mas é apenas o ponto de partida de um percurso que pode ser transformador com o apoio adequado.
Quando descobri o autismo do meu filho, senti um abismo imenso e percebi o quanto eu estava despreparada. Debater a questão era algo muito difícil tanto para as escolas, quanto para as famílias e para a sociedade em geral. Tudo é muito complexo, pouco aprofundado, sem contar o emocional. A mãe nunca espera esse tipo de diagnóstico”, pontua a empresária Ingrid Monte, mãe de um menino de 9 anos, diagnosticado com TEA com apenas 2.
Um espectro, múltiplas formas
Não existe um exame único que confirme o autismo. O diagnóstico exige uma avaliação criteriosa, feita ao longo do tempo e em diferentes contextos, observando padrões de comportamento e interação social”, explica a médica.
Cada criança dentro do espectro é única. Algumas podem ter linguagem altamente desenvolvida, mas apresentar dificuldades na interação social ou na compreensão de sinais não verbais”, destaca a Dra. Anna.
Diagnóstico precoce faz diferença
Essa diferença de poucos meses é extremamente relevante. Estamos falando de um período de intensa plasticidade cerebral, em que intervenções precoces podem mudar significativamente o desenvolvimento da criança”, afirma a pediatra.
O diagnóstico não é o fim, e sim um ponto de partida. Ele permite entender as necessidades e potencialidades de cada criança, direcionando intervenções mais adequadas e promovendo melhor qualidade de vida”, conclui a pediatra.
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Terapias multidisciplinares: uma abordagem integrada
O Autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que muda a maneira como uma pessoa percebe e interage com o mundo ao seu redor. Suas principais características incluem dificuldades na comunicação, interação social e padrões de comportamento restritos e repetitivos. Como o espectro é amplo e impacta diversas áreas, cada pessoa apresenta características do transtorno de maneira única, o que torna o acompanhamento personalizado e multidisciplinar essencial.
Para o neuropediatra Tarcizio Brito, quanto mais cedo a criança iniciar a abordagem com terapias dirigidas, maiores são as chances de ela desenvolver habilidades de comunicação, interação social e comportamento adaptativo, ganhando cada vez mais autonomia. “Esse é o principal benefício de uma intervenção precoce com um trabalho multidisciplinar”, afirma.
A intervenção multidisciplinar, que envolve diferentes áreas da saúde, como Psicologia baseada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, é essencial para melhorar a qualidade de vida e a autonomia das crianças com TEA. Essa abordagem permite um tratamento integrado que potencializa as habilidades e o bem-estar da criança, além de beneficiar toda a família.
Quando essas terapias são integradas e adaptadas às necessidades individuais, os progressos são impressionantes. Não apenas transformam a vida da criança, mas também proporcionam alívio e esperança para as famílias”, afirma a orientadora e terapeuta ocupacional da Genial Care, Alessandra Peres.
Práticas baseadas na ABA são altamente eficazes e recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para pessoas com desenvolvimento atípico. Essa técnica modifica comportamentos e desenvolve habilidades por meio de reforços positivos e estratégias individualizadas.
A Fonoaudiologia, por sua vez, foca no desenvolvimento da comunicação e da linguagem, enquanto a Terapia Ocupacional trabalha habilidades motoras e de percepção corporal, impactando diretamente as atividades diárias da criança.
O que é o Transtorno do Espectro Autista?
Para as famílias, o diagnóstico pode gerar muitas emoções, como insegurança e ansiedade, especialmente sobre o futuro da criança. De acordo com um estudo da Genial Care em parceria com a Tismoo.me, 79% dos cuidadores de crianças com autismo expressam grande preocupação com o que está por vir após o diagnóstico.
As apreensões podem ser relacionadas tanto ao futuro dessa criança, principalmente em relação à independência e autonomia, quanto, de modo mais imediato, quais terapias realizar, visto a quantidade de informação que hoje existe a disposição. É relevante, assim sendo, que a família tenha profissionais de confiança que trabalhem com práticas baseadas em evidências para melhor suporte e direcionamento nesse momento inicial”, destaca Alice Tufolo, conselheira clínica da Genial Care, rede de cuidado de saúde atípica especializada em crianças autistas e suas famílias
Para Alessandra, investir em soluções personalizadas é essencial para garantir uma intervenção mais eficaz e menos desgastante. Segundo ela, a intervenção no TEA tem avançado no Brasil e no mundo, mas ainda há muitos desafios a serem superados.
A integração de terapias e o uso de tecnologias que apoiam terapeutas e cuidadores podem transformar o cenário, promovendo o desenvolvimento das crianças e melhorando sua qualidade de vida. A busca pelo tratamento certo, respaldado por profissionais qualificados e uma abordagem individualizada, é fundamental para garantir o sucesso na jornada de cada criança com TEA”, finaliza.




