A classificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em três níveis de suporte foi introduzida pela Associação Americana de Psiquiatria em 2013, dividindo o autismo em três categorias: nível um, nível dois e nível três. Frequentemente, as formas mais graves do transtorno são associadas aos níveis dois e três, mas também existem casos graves de autismo no nível um.
Em sua palestra ‘Formas Graves do TEA’, durante a Jornada do Autismo, realizada no fim de semana no Rio de Janeiro, o neurocientista Paulo Liberalesso, com mais de 20 anos de experiência na área, salientou a importância de uma abordagem mais detalhada para entender as diferentes causas do autismo, como a forma genética, síndrome e lesional.
Segundo ele, o autismo pode se manifestar de diferentes maneiras, dependendo da origem do transtorno. Liberalesso falou sobre a importância de distinguir as várias formas de autismo e a complexidade do transtorno, algo que muitas vezes é minimizado ou mal compreendido pela sociedade.
O autismo é comumente classificado em três níveis de suporte, mas essa classificação, embora útil, não é absoluta. Podemos ter casos graves de autismo tanto no nível um, quanto no nível dois ou três“, esclareceu.
Com um vasto conhecimento sobre o tema, o especialista abordou as diferentes classificações do transtorno, destacando as formas mais complexas de autismo, que podem apresentar desafios consideráveis para o diagnóstico e o tratamento adequado.
Diagnóstico e intervenção nas formas graves de TEA
A forma mais comum de autismo é a genética, que é frequentemente vista no dia a dia, mas também existem o autismo síndromo, como no caso da Síndrome de Down, e o autismo lesional, causado por lesões cerebrais“, explicou o neurocientista.
Uma das formas mais críticas é o autismo lesional, que ocorre quando uma lesão cerebral do feto durante o desenvolvimento, o que pode levar a danos cerebrais e transtornos do espectro autista. “O autismo lesional é a forma mais grave do transtorno e frequentemente está relacionado a condições como a paralisia cerebral e outras deficiências intelectuais”, alertou.
O especialista também abordou a necessidade de um diagnóstico precoce e intervenções adequadas para as crianças com autismo, especialmente aquelas com formas mais graves do transtorno. Ele ressaltou que, apesar das dificuldades, as intervenções realizadas por profissionais qualificados podem fazer uma enorme diferença no desenvolvimento da criança, ajudando-a a adquirir habilidades de comunicação e socialização.
Cada criança com autismo é única, e o tratamento precisa ser personalizado. Devemos compreender as particularidades de cada caso e trabalhar de forma colaborativa para alcançar os melhores resultados possíveis”, concluiu.
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Uso excessivo de telas no autismo, como lidar?
Em sua palestra, o neurocientista também discutiu um fenômeno recente que tem gerado discussões no campo do autismo: o impacto do uso excessivo de telas, como smartphones e videogames, nas crianças com transtorno do espectro autista. Ele explicou que a dependência de telas pode agravar os sintomas do autismo e aumentar a dificuldade de interação social.
O vício em telas é um fenômeno neurobiológico que afeta o cérebro de maneira semelhante ao vício por drogas. A dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, é ativada de forma intermitente durante o uso das redes sociais e videogames, o que pode levar ao comportamento de dependência”, disse Dr. Paulo.
Paulo Liberalesso destacou que, embora o tratamento medicamentoso para o vício por telas seja limitado, o acompanhamento comportamental é fundamental para ajudar as crianças a desenvolverem habilidades sociais e cognitivas. “A intervenção comportamental é a chave para lidar com o vício em telas e ajudar as crianças autistas a encontrarem prazer em outras atividades, além das digitais”.
Mais sobre o palestrante e o evento
Paulo Liberalesso é médico com doutorado em Distúrbios da Comunicação pela Universidade Tuiuti do Paraná e atua como pesquisador e responsável pelo Centro de Reabilitação Neuropediátrica (Cerena), em Curitiba, que oferece atendimento especializado para crianças com autismo.
Além de sua atuação clínica, Dr. Paulo é palestrante e professor de pós-graduação, com foco em temas como autismo e distúrbios neurológicos. Ele também compartilha seu conhecimento por meio de vídeos na internet, contribuindo para a educação e conscientização sobre o autismo.
A terceira edição do Congresso Jornada do Autismo reuniu mais de 5 mil pessoas no Riocentro, entre especialistas, profissionais da saúde e educadores para discutir as novas abordagens no tratamento e diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). VIDA E AÇÃO participou do evento, a convite da organização.





