Na semana do Dia da Mentira, é comum ouvir histórias absurdas e pegadinhas divertidas. Mas quando o assunto é sexo, algumas mentiras são repetidas tantas vezes que acabam parecendo verdades – e isso pode impactar diretamente a vida sexual e o bem-estar de muitas pessoas.
Os sexólogos e fundadores da Dona Coelha, Natali Gutierrez e Renan de Paula, listam as cinco principais mentiras sobre sexo e explicam a verdade por trás delas.
1. “O desejo sexual diminui naturalmente com o tempo”
Mentira!
O desejo sexual pode mudar ao longo da vida, mas isso não significa que ele precisa desaparecer. Segundo Natali, “fatores como rotina, estresse, falta de comunicação e baixa autoestima podem afetar a libido, mas com autoconhecimento e estímulos adequados, o desejo pode ser resgatado e até intensificado”.
2. “Tamanho é documento”
Mentira!
O prazer sexual não está diretamente ligado ao tamanho do pênis ou de qualquer outra parte do corpo. “O que realmente importa é a conexão, a comunicação e o conhecimento sobre o que dá prazer ao parceiro ou parceira”, explica Renan. Além disso, a estimulação de diferentes zonas erógenas faz toda a diferença na experiência sexual.
3. “Mulheres não gostam tanto de sexo quanto os homens”
Mentira!
Esse é um dos maiores mitos sobre a sexualidade feminina. Natali esclarece: “Mulheres gostam e podem ter tanto desejo quanto os homens, mas muitas vezes foram ensinadas a reprimir esse lado por questões culturais e sociais. Quando há liberdade e segurança para explorar o prazer, a experiência pode ser igualmente intensa para ambos os sexos”.
4. “Sexo espontâneo é sempre melhor”
Mentira!
O cinema e a cultura pop nos fazem acreditar que o sexo precisa ser impulsivo e espontâneo, mas a realidade é que a vida adulta nem sempre permite isso. “Agendar momentos íntimos pode ser uma ótima maneira de manter a conexão, principalmente em relacionamentos longos. O desejo pode ser construído e estimulado ao longo do dia”, diz Renan.
5. “Brinquedos sexuais são só para quem não tem uma vida sexual ativa”
Mentira!
Os brinquedos eróticos são aliados do prazer, tanto individualmente quanto a dois. “Eles podem intensificar a experiência, proporcionar novas sensações e até ajudar casais a saírem da rotina”, afirma Natali. E o melhor: há opções para todos os gostos e níveis de curiosidade.
No Dia da Mentira, vale a pena questionar algumas das “verdades” que ouvimos sobre sexo. Que tal aproveitar a data para desconstruir mitos e aprender mais sobre o que realmente faz bem para sua vida sexual?
Os 7 mitos sobre relacionamentos liberais que muita gente acredita
Especialista explica por que ciúme existe, regras são essenciais e amor não depende de exclusividade
Para marcar o 1º de abril, o Ysos, app de encontros casuais, convidou a neuropsicanalista clínica e especialista em relações contemporâneas Sanny Rodrigues para esclarecer alguns dos principais mitos que ainda cercam os relacionamentos liberais.
A seguir, ela explica as mentiras mais comuns e por que elas não se sustentam na prática:
- “Em relações liberais não existe ciúme”
Esta é uma das expectativas mais irreais e mais comuns. Segundo Sanny, o ciúme não desaparece. Pelo contrário: ele pode surgir com intensidade. A diferença está na forma de lidar com ele. “Em vez de ser ignorado ou reprimido, o sentimento precisa ser reconhecido, nomeado e trabalhado. Relacionamentos liberais, nesse sentido, não elimina o ciúme, mas exige mais maturidade emocional para compreendê-lo. Com o tempo, algumas pessoas desenvolvem inclusive a compersão, que é a capacidade de sentir alegria ao ver o parceiro sendo amado por outras pessoas”.
2. “Não existem regras”
Para Sanny, esse é um dos mitos mais perigosos. “Essas relações, na prática, são altamente estruturadas. Elas possuem acordos e muitos! A diferença é que essas regras não são impostas socialmente, mas construídas de forma consciente entre as pessoas envolvidas. Não existe fórmula pronta: cada relação cria seus próprios combinados, com base no que faz sentido para todos”.
3. “Não existe amor de verdade”
Essa crença parte de uma associação muito comum: a de que amor só existe com exclusividade. “Na prática clínica, o que se observa é o contrário. Existem vínculos profundos, éticos e afetivos em relações liberais. O que sustenta o amor não é a exclusividade, e sim a qualidade da conexão, o cuidado e a responsabilidade emocional entre as pessoas”, afirma a especialista.
4. “É só uma desculpa para trair”
Sanny reforça que, neste caso, existe uma confusão importante. “Traição não está relacionada ao número de pessoas envolvidas, mas à quebra de acordos. Quando alguém propõe abrir a relação sem preparo ou sem diálogo, o cenário pode, de fato, se tornar desorganizado. Mas isso não caracteriza esses relacionamentos e sim a ausência de acordos claros e de responsabilidade emocional.
5. “Não é sustentável a longo prazo”
Essa ideia costuma vir de quem observa de fora. Segundo a especialista, existem relações que se mantêm por anos com estabilidade, afeto e consistência. “Há um ponto central: elas não se sustentam sozinhas. Assim como qualquer relação saudável, exigem comunicação constante, revisão de acordos, maturidade emocional e disposição para lidar com desconfortos. Ou seja: dão trabalho, como qualquer vínculo que funcione de verdade”, diz.
6. “É só uma fase ou uma moda”
Embora relacionamentos liberais tenham ganhado mais visibilidade recentemente, ela não é uma invenção nova. Sanny explica que o que mudou foi o comportamento das pessoas, que passaram a questionar modelos tradicionais e buscar formas de se relacionar mais alinhadas com seus valores. “Na prática clínica, o que se observa não é uma tendência passageira, mas uma tentativa de construir relações mais conscientes”.
7. “Funciona para todo mundo”
Esse é um mito que deve ser esclarecido segundo Sanny. Ela afirma que a verdade é justamente o contrário: essas relações não são para todo mundo e está tudo bem. “O problema não está no modelo escolhido, mas na forma como ele é vivido”.
Segundo ela, muitas pessoas sofrem não por estarem no “modelo errado”, mas por não terem desenvolvido habilidades essenciais para qualquer relação, como comunicação honesta, capacidade de lidar com desconfortos, construção de acordos reais e inteligência emocional”.





