Não é só a influenza A que vem preocupando os infectologistas, que comemoram o seu dia neste sábado (11 de abril). O Brasil está entre os países com maior número de casos de HTLV (Vírus Linfotrópico de Células T Humanas), uma infecção que pode permanecer assintomática por muitos anos e, por isso, segue subdiagnosticada.

Da mesma família do HIV, vírus causador da aids, o HTLV foi considerado um mal menor durante décadas. Agora, porém, evidências reforçam a importância da prevenção contra esse agente infeccioso, sobretudo entre gestantes.
O “´primo” do HIV é pouco conhecido, mas se tornou alvo recente da prevenção de doenças e infecções. O HTLV é um retrovírus conhecido, assim como o HIV, por infectar células do sistema imunológico humano.

Identificada na década de 1980, a infecção ainda é um desafio

Embora tenha sido o primeiro retrovírus humano identificado, ainda na década de 1980, ele permanece como um desafio considerável para a comunidade científica, por sua prevalência global. No contexto brasileiro, há indícios de que o país possa liderar em quantidade de casos em escala mundial.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, no Brasil, entre 800 mil e 2,5 milhões de pessoas vivem com o vírus. Apesar disso, o HTLV ainda é desconhecido pela maior parte da população.
Embora grande parte das pessoas infectadas nunca apresente sintomas, cerca de 5% e 10% das pessoas infectadas podem manifestar doenças graves, como mielopatia, doença neurológica degenerativa grave ou leucemia das células T, um câncer agressivo que pode ser fatal.
São doenças que impactam significativamente a qualidade de vida, por isso o diagnóstico precoce é tão importante. A condição neurológica chamada mielopatia associada ao HTLV pode causar fraqueza muscular, rigidez e dificuldades de locomoção, afirma oinfectologista do MPHU, Frederico Zago.

Infecção por HTLV não tem cura, mas tem tratamento

O HTLV é um vírus que infecta células do sistema imunológico e pode ser transmitido principalmente por relações sexuais desprotegidas, por s, transfusões de sangue contaminado, pelo compartilhamento de seringas e agulhas, além da transmissão de mãe para filho, especialmente durante a gestação, parto e amamentação.

O diagnóstico do HTLV é feito por meio de exames de sangue específicos, geralmente solicitados em situações de risco ou investigação clínica. Apesar de não haver cura para o vírus, o acompanhamento médico é fundamental para monitorar possíveis manifestações e iniciar o tratamento adequado caso surjam complicações. O paciente precisa ser acompanhado ao longo da vida. O foco é identificar precocemente qualquer alteração e  e garantir o melhor cuidado possível”, afirma o infectologista.

O foco está em tratar os sintomas e complicações decorrentes das doenças associadas ao vírus. Por isso, é importante manter os padrões de uma saúde equilibrada, se prevenir e ressaltar que mais pesquisas são necessárias para desenvolver terapias direcionadas ao próprio vírus”, afirma Camille Risegato, ginecologista da Associação Mulher Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR).
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Medidas de prevenção começam no pré-natal

O médico alerta que o desconhecimento sobre o vírus ainda é um dos principais obstáculos para o controle da doença, já que muitas pessoas convivem com o HTLV sem saber. “É uma infecção que não tem a mesma visibilidade que outras, mas que exige atenção. A prevenção está diretamente ligada à informação e ao comportamento seguro”, explica.

No intuito de minimizar a transmissão vertical, que ocorre de mãe para filho, o Ministério da Saúde, incluiu em sua política o exame para HTLV durante o pré natal e a notificação nacional da doença. Assim, quando a infecção for diagnosticada, a mãe será orientada a não amamentar, e será oferecido pelo SUS fórmula artificial para esses bebês.

De acordo com Camille Risegato, o controle da disseminação do HTLV envolve práticas de prevenção, como o uso de preservativos e o descarte seguro de material médico, além da realização de testes de triagem em doadores de sangue e transplantes de órgãos.

Para Frederico Zago, medidas simples podem fazer a diferença: “A informação, o uso de preservativo e a realização de testes quando indicados são medidas fundamentais para a prevenção. Em caso de dúvida, procure uma unidade de saúde e informe-se”.

Com Assessorias

 

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