Em 2025, o Brasil registrou mais de 7 mil novos casos de leucemia, segundo informações do Datasus, base de dados do Ministério da Saúde. Diante desse cenário, a campanha Fevereiro Laranja vem desde 2018 ajudando a conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, que aumentam significativamente as chances de cura.

A leucemia é um tipo de câncer que começa quando as células responsáveis pela produção do sangue, chamadas células-tronco hematopoiéticas, sofrem mudanças em seu material genético. Essas mudanças fazem com que as células se multipliquem de forma descontrolada, dando origem à doença.

Fatores genéticos e ambientais podem influenciar o desenvolvimento da leucemia. Entre eles, estão a exposição à radiação ionizante, pesticidas e solventes, além da idade avançada e do histórico familiar de doenças hematológicas ou de câncer. O excesso de peso, o tabagismo e tratamentos anteriores com quimioterapia e/ou radioterapia também estão associados a um maior risco de desenvolver a doença.

A hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS),  ressalta que o diagnóstico precoce de qualquer tipo de leucemia é de fundamental importância para a melhora e tratamento do paciente. Quando realizados de forma ágil, esses exames transformam o tempo em um aliado, ampliando as chances de controle da leucemia e melhorando os desfechos clínicos.

O benefício ocorre pela avaliação médica especializada e tratamento precoce, os quais diminuem os sintomas e os efeitos deletérios da doença em outros órgãos e sistemas, ajudando na restituição da imunidade e na recuperação clínica”, finaliza.

Diagnóstico começa por um simples hemograma

Apesar da sua gravidade, a doença pode ser inicialmente detectada por meio de alterações no hemograma, um exame de sangue simples que deve ser realizado ao menos uma vez por ano. No entanto, alguns sinais clínicos também merecem atenção, como explica a médica.

Entre os sintomas mais comuns estão fadiga, cansaço, palidez, sangramento espontâneo, manchas no corpo, febre, perda de peso involuntária, infecções de repetição e aumento de gânglios linfáticos e do baço, que pode causar dor abdominal”, destaca,

Se o hemograma apresentar alterações, normalmente como a redução de mais de uma série de células sanguíneas (sejam as plaquetas, os leucócitos ou as hemácias), a presença de células imaturas anormais (conhecida como blastos) no sangue, ou mesmo o aumento sustentado no número de leucócitos, traz uma forte suspeita de leucemia.

Nesses casos, é indicada a avaliação do hematologista, e em grande parte dos casos, o exame de medula óssea. O aspirado de medula óssea é um exame simples que consiste na aspiração através de uma agulha fina, de uma pequena amostra do material líquido de dentro do osso para análise das células presentes na região.

Em alguns casos é indicada também a realização da biópsia de medula óssea, que se trata da retirada de um fragmento do osso (medula óssea), também realizada por punção com agulha. Com a amostra coletada, são realizados exames citogenéticos e moleculares para determinação do subtipo específico de leucemia.

Doação de medula óssea e outros tratamentos

A campanha Fevereiro Laranja tem também como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância da doação de medula óssea, crucial para pacientes que necessitam de transplantes para combater não só a leucemia, mas também linfomas e mielomas, além de diversas outras patologias, incluindo as não oncológicas. A medula óssea saudável, que é responsável pela produção de células sanguíneas, pode ser a única chance de cura para muitos desses pacientes.

Outros tipos de tratamento podem ser utilizados dependendo do tipo de leucemia, como quimioterapia, imunoterapia e terapias celulares. O objetivo principal é eliminar as células cancerígenas para que a medula óssea volte a produzir células saudáveis.

Os avanços da medicina têm proporcionado uma expressiva melhora na resposta aos diversos tratamentos disponíveis, resultando em maior taxa de cura e qualidade de vida para os pacientes”, finaliza a médica.

7 fatos sobre a leucemia que você precisa conhecer

Ainda cercada por mitos, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico precoce, a leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue, com origem na medula óssea, levando à produção anormal de glóbulos brancos.

Ela pode acometer pessoas de todas as idades, com comportamentos e evoluções muito diferentes. Além disso, enquanto algumas formas avançam rapidamente, outras permanecem silenciosas por anos e são descobertas por acaso.

No Fevereiro Laranja, campanha de conscientização sobre a doença, a hematologista Lisa Aquaroni Ricci, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), esclarece fatos pouco conhecidos sobre a leucemia e ajuda a desmistificar sinais, riscos e possibilidades de tratamento.

1. A leucemia pode surgir em qualquer fase da vida

Ao contrário do que muitos imaginam, a leucemia não é uma doença restrita a uma única faixa etária. Ela pode acometer crianças, adultos e idosos. “A leucemia pode acontecer em qualquer idade. Ela não é exclusiva de crianças ou de pessoas mais velhas, embora alguns tipos sejam mais comuns em determinadas fases da vida”, explica a médica.

Na infância, o tipo mais frequente é a leucemia linfoblástica aguda. Segundo a especialista, hoje em dia a maioria das crianças apresenta grandes chances de cura quando o tratamento adequado é iniciado precocemente. Já nos adultos, podem surgir diferentes tipos da doença, enquanto em idosos, especialmente após os 60 anos, é mais comum a leucemia linfóide crônica.

2. Na maioria dos casos, não existe uma causa única

Outro ponto importante é entender que, na maior parte das vezes, não há um único fator responsável pelo surgimento da leucemia. “Alguns fatores podem aumentar o risco, como idade mais avançada, tratamentos prévios com quimioterapia ou radioterapia e exposição prolongada a produtos químicos ou radiação, mas não existe uma causa única”, afirma Lisa Ricci.

Por conta disso, é fundamental combater a culpa que muitas pessoas sentem após o diagnóstico. “A maioria dos pacientes não fez nada de errado e não poderia ter evitado a doença”, diz.

3. Nem toda leucemia é agressiva

Apesar da imagem de doença grave e rapidamente progressiva, a leucemia nem sempre evolui de forma agressiva. Existem leucemias agudas, que se desenvolvem rapidamente, e leucemias crônicas, que podem crescer lentamente ao longo de anos. Cada tipo de leucemia tem um comportamento próprio, e isso influencia diretamente na forma como a doença é acompanhada e tratada.

4. Algumas leucemias não causam sintomas no início

É verdade que certos tipos de leucemia, especialmente as crônicas, podem não provocar sintomas no início. Nesses casos, a pessoa se sente bem, leva uma vida normal e a doença acaba sendo descoberta por acaso, em um exame de sangue de rotina. Isso é relativamente comum e mostra a importância dos exames periódicos, mesmo quando não há queixas.

5. A leucemia pode afetar outros órgãos além do sangue

leucemia tem início na medula óssea, que é a fábrica do sangue, mas pode atingir outros órgãos. Gânglios linfáticos podem aumentar no pescoço, axilas ou virilha; o baço pode crescer e causar sensação de estufamento, desconforto abdominal ou saciedade precoce; e o fígado também pode aumentar, provocando alterações nos exames ou desconforto abdominal.

Em situações mais raras, alguns tipos de leucemia podem atingir o sistema nervoso central, como o cérebro ou a medula espinhal, causando sintomas como dor de cabeça persistente, visão dupla ou formigamentos. “Por isso, em determinados casos, indicamos tratamento preventivo para essa região”, explica a médica. Ela ressalta que nem todos os pacientes apresentam esses acometimentos e que muitas pessoas têm apenas alterações no sangue, visto que cada tipo de leucemia se comporta de forma diferente.

6. No início, a leucemia pode ser confundida com doenças comuns

Os sintomas iniciais da leucemia costumam ser inespecíficos e podem se parecer com problemas frequentes do dia a dia. Febre, cansaço e dores no corpo podem lembrar uma infecção; fraqueza, palidez e falta de ar podem ser confundidas com anemia por deficiência de vitaminas; e manchas roxas ou sangramentos fáceis podem sugerir distúrbios de coagulação.

Isoladamente, esses sintomas geralmente têm causas simples. Mas, quando persistem, aparecem em conjunto ou pioram, é fundamental procurar avaliação médica”, orienta a especialista.

7. Nem toda leucemia é tratada com quimioterapia

Atualmente, nem todas as leucemias exigem tratamento com quimioterapia tradicional. Algumas crescem lentamente e podem ser apenas acompanhadas, sem necessidade de tratamento imediato, como ocorre em certos casos de leucemia linfóide crônica. Outras precisam de tratamento rápido, mas contam com alternativas modernas.

Entre as opções estão terapias-alvo, que agem diretamente nas células doentes, imunoterapia, transplante de medula óssea e a terapia CAR-T, indicada em situações específicas. “O tipo de tratamento depende do tipo de leucemia, da fase da doença e das condições clínicas de cada paciente”, conclui Dra. Lisa.

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