
“Publicações afirmam, sem qualquer base científica, que o imunizante aumentaria o risco de contrair a própria gripe. A informação é falsa”, rebateu a pasta em nota.O MS destacou que a vacina contra a gripe produzida no Brasil pelo Instituto Butantan apresenta eficácia comprovada na prevenção de hospitalizações e mortes, sobretudo entre grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas e pessoas com 60 anos de idade ou mais.
A dose contra a gripe disponível via Sistema Único de Saúde (SUS) é a Influenza trivalente, indicada para prevenir quadros clínicos graves, complicações, internações e óbitos causados pelo vírus.
O imunizante é recomendado pelo Ministério da Saúde, pré-qualificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue as orientações internacionais. Tanto a OMS quanto a agência reguladora dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), recomendam o uso de vacinas trivalentes”, reforçou o ministério.
Boatos sobre a eficácia da vacina
No comunicado, a pasta ressaltou que a vacina da gripe é produzida com vírus inativados, fragmentados e purificados, não sendo capaz de provocar a doença em quem é imunizado. “Logo, é falso afirmar que a vacina causa gripe mais forte ou aumenta o risco de infecção”, afirma.
Um dos fatores que contribuem para a confusão, segundo o ministério, é o fato de que o vírus influenza circula com mais intensidade no outono e no inverno, período em que também aumentam os casos de outras viroses respiratórias, como parainfluenza, covid-19, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus.
Pessoas vacinadas podem ser infectadas por outros vírus respiratórios no mesmo período e apresentar sintomas semelhantes aos da gripe, o que pode gerar a falsa impressão de que a vacina não funcionou”, esclarece a pasta.
“Na prática, a imunização reduz a chance de desenvolver sintomas graves e diminui significativamente o risco de internações e morte”, alerta o ministério.
840 pessoas já morreram este ano por vírus respiratórios
Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo a influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.
Idosos, crianças menores de 6 anos, gestantes e pessoas com comorbidades apresentam maior risco de complicações, internações e óbito. Priorizar esse público é fundamental para evitar casos graves e óbitos por influenza. A imunização é fundamental para reduzir complicações, internações e óbitos causados pela influenza.
Vacinação
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou com alta procura nos postos de saúde. Com o início da mobilização e a realização do Dia D no último sábado (28), mais de 2,3 milhões de doses foram aplicadas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, sendo 240 mil no Estado do Rio de Janeiro.
Na Região Norte, a vacinação ocorre em período diferente do restante do país, em razão das condições climáticas e epidemiológicas, como altas temperaturas e umidade, que influenciam a dinâmica de transmissão do vírus.
A vacinação é gratuita pelo SUS e segue até 30 de maio, com prioridade para crianças, gestantes e idosos. No Dia D, esse público concentrou 94% das doses aplicadas, de um total de 1,6 milhão em um único dia.
A vacinação anual é fundamental porque a composição da vacina é atualizada a cada ano, conforme orientações da OMS, para acompanhar as cepas mais prevalentes”, explica o ministério.
Reforço contra a influenza A e gripe K
A pasta informou ainda que reforçou a vigilância da Influenza A (H3N2), especialmente do subclado K, que vem sendo frequentemente registrada em países da América do Norte, como Estados Unidos e Canadá.
No Brasil, até o momento, foram identificados apenas quatro casos do subclado K. As análises foram conduzidas por laboratórios de referência nacional, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Adolfo Lutz, seguindo protocolos rigorosos de vigilância.
A vigilância da Influenza inclui monitoramento contínuo de casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG), diagnóstico precoce, investigação de eventos incomuns e fortalecimento do acesso à vacinação e a antivirais”, destacou o ministério.
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‘Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram’
Em pronunciamento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, convocou a população para se vacinar e reforçou a importância da mobilização. “Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família. Vá até um posto de saúde para se vacinar, vacinar quem você ama e cuidar da sua saúde para que possamos viver um futuro mais seguro”, destacou.
Padilha falou ainda sobre o esforço da atual gestão para reverter as quedas históricas na cobertura vacinal. “Recebemos um país ameaçado pela volta de doenças que haviam sido erradicadas, mas que, por conta do descaso e do negacionismo, voltaram a preocupar. Em três anos, revertemos esse cenário. Com o apoio dos profissionais do SUS e das famílias brasileiras, ampliamos a vacinação em todas as 16 vacinas do calendário infantil”, concluiu.
O Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses aos estados, quantitativo necessário para intensificar a imunização nos primeiros meses da campanha. A estratégia busca ampliar a proteção antes do período de maior circulação do vírus, que ocorre no inverno. A vacina está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em postos de vacinação organizados em locais de grande circulação de pessoas.
Quem pode se vacinar?
Podem receber a dose grupos prioritários que incluem idosos, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência, povos indígenas e população privada de liberdade.
Algumas categoriais profissionais também são consideradas prioritárias na vacinação, como trabalhadores da saúde, professores, forças de segurança, caminhoneiros e trabalhadores do transporte coletivo, entre outros públicos classificados como mais vulneráveis.
Público prioritário:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias)
- Idosos com 60 anos ou mais de idade
- Gestantes
Demais grupos:
- Puérperas
- Povos indígenas
- Quilombolas
- Pessoas em situação de rua
- Trabalhadores da saúde
- Professores do ensino básico e superior
- Profissionais das Forças de Segurança e Salvamento
- Profissionais das Forças Armadas
- Pessoas com deficiência permanente
- Caminhoneiros
- Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário para passageiros urbanos e de longo curso
- Trabalhadores portuários
- Trabalhadores dos correios
- População privada de liberdade e funcionários do sistema de privação de liberdade, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas
- Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais independentemente da idade
A vacina contra a gripe não aumenta o risco da doença, ela salva vidas. Aderir à imunização é a forma mais eficaz de proteger a si mesmo e aos mais vulneráveis, reduzindo internações e evitando mortes”, garante o ministério.
“Não espalhe desinformação. Confira sempre em sites de fontes oficiais, como do Ministérios da Saúde e da OMS, antes de repassar fake news”, alerta a pasta.
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