A maratona de blocos, desfiles e festas é inesquecível, mas para muitos foliões o Carnaval pode deixar uma lembrança nada agradável: a perda da voz e a dor de garganta. A combinação de dias seguidos de gritos e cantorias, consumo de bebidas geladas, exposição ao calor e, muitas vezes, às chuvas de verão, cria o cenário perfeito para inflamações.
Segundo o médico otorrinolaringologista Fabrizio Romano, é comum que a agitação dos dias de folia cobre seu preço. “No Carnaval, submetemos a laringe a um esforço extremo para competir com o som alto dos trios e caixas de som. Somado à desidratação causada pelo suor, a mucosa resseca e fica vulnerável a lesões e vírus”, explica.
Para voltar à rotina sem dor, o especialista, ele lista cuidados essenciais para o cuidado com a garganta:
● Repouso vocal absoluto: Assim como o corpo precisa descansar, as cordas vocais também. Evite falar muito, sussurrar (que força ainda mais a laringe) ou pigarrear. “O silêncio nos dias seguintes à folia é a melhor ferramenta para desinchar as pregas vocais”, orienta o médico.
● Hidratação reforçada: É hora de repor a desidratação do calor com muita água. O foco na hidratação é fundamental para recuperar a mucosa e fluidificar secreções. Água natural e sucos não ácidos são os melhores aliados.
● Atenção ao choque térmico: Sair do calor da rua para o ar-condicionado gelado do escritório ou de casa pode piorar a irritação. Tente manter a temperatura ambiente amena e evite bebidas geladas enquanto a garganta estiver sensível.
● Ação rápida e anti-inflamatória: Para quem já está sentindo desconforto da dor de garganta, pastilhas que contenham anti-inflamatórios (como o flurbiprofeno) são indicadas. Elas agem diretamente na causa da dor e da inflamação, proporcionando alívio rápido e prolongado, facilitando a alimentação durante a recuperação.
● Sinais de alerta: Rouquidão que dura mais de 15 dias, dor que impede de engolir a própria saliva ou febre alta não são normais de uma “ressaca de carnaval”. Nesses casos, a avaliação médica é indispensável para descartar infecções bacterianas mais graves.
O corpo tem uma capacidade incrível de regeneração, mas precisamos dar as condições certas. Hidratação, descanso e medicamentos adequados para o alívio dos sintomas aceleram esse retorno à normalidade”, reforça o Dr. Fabrizio.
Calor intenso e bebidas geladas: uma combinação que “abre portas” para infecções de garganta
Médica explica que choques de temperatura paralisam células ciliares que protegem o aparelho respiratório, ensejando quadros de rouquidão, amigdalite e faringite
Água bem gelada, sorvete, raspadinha, cerveja, caipirinha… Vale tudo para refrescar o corpo em meio ao calorão que ocorre nas mais diversas regiões do país. E a ingestão de líquidos e alimentos em baixas temperaturas é sempre uma solução desejável a quem busca por alívio imediato – o que de fato acontece.
O problema, geralmente, vem depois. Na hora dormir ou de acordar, ou mesmo passados alguns dias, a garganta muitas vezes costuma “reclamar”. Ou seja, vem aquela dor, tosse, irritação e incômodo ao engolir, o que já indica algum tipo de inflamação ou mesmo infecção.
A razão, segundo Cristiane Passos Dias Levy, do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, está justamente no choque térmico que ocorre no momento que ingerimos esses líquidos e alimentos.
Esse conflito entre altas e baixas temperaturas acaba paralisando os cílios que revestem os tecidos da garganta e nariz. São células que servem de defesa do sistema respiratório, pois filtram microrganismos e partículas de poeira que respiramos e impedem que cheguem aos pulmões. Quando esse mecanismo de defesa deixa de funcionar, mais sujeira se acumula nas mucosas, e o volume de secreção aumenta. Essa dinâmica favorece que algumas bactérias ataquem a mucosa da boca e da garganta, provocando quadros de inflamação e infecções”, explica.
Dentre as consequências mais clássicas, Dra. Cristiane destaca a rouquidão, a amigdalite e a faringite. “São as complicações mais frequentes do impacto das bebidas frias na orofaringe”, confirma.
No caso das bebidas alcoólicas, em especial, a médica destaca que, quando ingeridas em excesso, elas também causam irritação e ressecamento da garganta – o que pode potencializar os quadros de inflamação/infecção.
“O álcool pode causar refluxos, gerando mal-estar e irritação na garganta, principalmente quando aliado a uma alimentação desregrada, com produtos muito gordurosos e condimentados.”
Abaixo, seguem algumas recomendações listadas pela médica para evitar esse tipo de problema, sem interferir tanto nos hábitos, muito menos deixar de consumir as coisas que tanto gosta. A hidratação é a principal dica.
Confira os detalhes:
– Beba ao menos dois litros de água (temperatura ambiente) por dia. Isso contribui para a hidratação das mucosas da garganta.
– Evite ingerir bebidas e alimentos imediatamente retirados da geladeira ou freezer, para evitar o choque térmico na orofaringe.
– Faça a manutenção dos aparelhos de ar-condicionado: sem a devida manutenção, o ar-condicionado e o ventilador podem acumular partículas de poeira e ácaros.
– Tenha uma alimentação equilibrada: priorize os vegetais e alimentos frescos, pois eles fortalecem o sistema imunológico do organismo.
– Evite o cigarro e a ingestão de álcool: fumar e beber são os agentes mais irritativos da garganta.
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Gripe, laringite ou amigdalite? Saiba como diferenciar as causas da dor de garganta
Especialista explica os sinais que ajudam a identificar cada doença e dá dicas de prevenção
Dor de garganta é um sintoma que todo mundo já teve — e que costuma levantar a mesma dúvida: afinal, é gripe, laringite ou amigdalite? Embora as três condições afetem a região da garganta, cada uma delas tem causas e manifestações diferentes, o que exige cuidados específicos.
Segundo Anike Nascimbem, médica otorrinolaringologista do Hospital Paulista – referência em ouvido, nariz e garganta —, a gripe costuma vir acompanhada de dor de cabeça, tosse, obstrução nasal, mal-estar e febre. Já a laringite tem como sinais mais típicos a irritação na garganta, rouquidão e tosse seca. A amigdalite, por sua vez, é uma inflamação nas amígdalas, geralmente marcada por dor intensa ao engolir, febre e mal-estar.
A dor de garganta está presente nas três condições, mas os outros sintomas ajudam a identificar qual é a causa”, explica a especialista. “Quando há rouquidão, por exemplo, pensamos em laringite. Já se a dor for muito forte e houver dificuldade para engolir, é mais provável que seja uma amigdalite.”
A médica reforça que é sempre importante procurar atendimento médico em caso de dúvida ou quando os sintomas pioram. “Febre persistente por mais de 48 horas, falta de ar, dor de garganta intensa ou dificuldade importante para engolir são sinais de alerta que merecem avaliação imediata”, alerta.
Para prevenir essas infecções, especialmente nos períodos de tempo seco ou frio, a recomendação é simples: hidratação, alimentação saudável e descanso adequado. “Beber bastante água, fazer lavagem nasal, manter os ambientes úmidos e praticar atividades físicas ajudam a fortalecer o sistema imunológico e a proteger as vias respiratórias”, orienta a Dra. Anike.
Gripe pós-Carnaval: aglomerações e excessos favorecem aumento de casos respiratórios
Privação de sono, álcool e contato próximo facilitam transmissão de vírus; especialista orienta prevenção e atenção aos sintomas
O Carnaval é marcado por encontros, festas e longos períodos de exposição a aglomerações, cenário ideal para a circulação de vírus respiratórios. A gripe, causada pelo vírus Influenza, costuma ganhar força nesse período, impulsionada pelo contato próximo entre as pessoas, compartilhamento de objetos, ambientes fechados e alterações na rotina, como noites mal dormidas e consumo excessivo de álcool.
A transmissão ocorre principalmente por gotículas respiratórias eliminadas ao falar, tossir, espirrar ou cantar, além do contato com superfícies contaminadas e posterior toque nos olhos, nariz e boca. Durante a folia, o contato físico frequente, os deslocamentos em transporte coletivo e a permanência em locais pouco ventilados ampliam o risco de infecção.
De acordo com Geyson Florêncio, especialista em Clínica Médica da Rede Oto, o período pós-festa é marcado por maior procura por atendimento devido a sintomas gripais. “Quando há sobrecarga física, privação de sono e alimentação inadequada, o sistema imunológico pode ficar mais vulnerável. Isso facilita a instalação de vírus respiratórios e o surgimento de sintomas como febre, dor no corpo, dor de garganta, coriza e tosse”, explica.
Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, é importante ficar atento a sinais de alerta, como febre persistente, falta de ar, dor no peito ou piora progressiva do estado geral. A vacinação anual contra a Influenza é uma das principais formas de prevenção, especialmente para grupos de risco. Além disso, medidas simples como higienização frequente das mãos, boa hidratação, descanso adequado e evitar contato próximo quando estiver sintomático ajudam a reduzir a transmissão.
O pós-Carnaval é, portanto, um momento estratégico para retomar hábitos saudáveis e reforçar os cuidados com a saúde respiratória. Manter a imunização atualizada e respeitar os sinais do corpo são atitudes essenciais para atravessar o período com mais segurança.
Com Assessorias



