A maratona de blocos, desfiles e festas é inesquecível, mas para muitos foliões o Carnaval deixa uma lembrança nada agradável: a perda da voz e a dor de garganta. A combinação de gritos, bebidas geladas, exposição ao calor e às chuvas de verão cria o cenário perfeito para inflamações e infecções.  O período pós-festa é marcado por um aumento significativo na procura por atendimento médico.

Segundo o otorrinolaringologista Fabrizio Romano, consultor de Strepsils, o esforço extremo da laringe para competir com o som alto dos trios elétricos, somado à desidratação, resseca a mucosa. “Isso a torna vulnerável a lesões e vírus”, explica o médico.

Calor intenso e bebidas geladas: o risco do choque térmico

No verão brasileiro, o consumo de bebidas estupidamente geladas para aliviar o calor é um hábito comum, mas perigoso. Cristiane Passos Dias Levy, otorrinolaringologista do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia, explica que o choque térmico paralisa temporariamente os cílios que revestem a garganta e o nariz.

Essas células servem de defesa do sistema respiratório, filtrando microrganismos. Quando esse mecanismo para, o volume de secreção aumenta e bactérias podem atacar a mucosa, provocando amigdalites e faringites”, afirma a especialista. O álcool em excesso potencializa o quadro, causando refluxo e mais irritação na mucosa.

Aglomerações e baixa imunidade favorecem vírus respiratórios

De acordo com Geyson Florêncio, especialista em Clínica Médica da Rede Oto, a sobrecarga física e a privação de sono durante a folia deixam o sistema imunológico vulnerável, favorecendo casos de gripe, resfriado e outros vírus respiratórios.

A transmissão de vírus como a Influenza é ampliada pelo contato próximo e permanência em locais pouco ventilados. Quando há fadiga e alimentação inadequada, os vírus se instalam com mais facilidade, causando sintomas como febre, dor no corpo, coriza e tosse”, explica Florêncio.

O perigo do som alto para a audição e o impacto do grito

A exposição constante a volumes que ultrapassam 85 decibéis — comuns em trios elétricos e sistemas de som potentes — pode causar danos irreversíveis. Dra Cristiane alerta que o ruído excessivo lesiona as células do ouvido interno. Além da audição, a laringe sofre.

Durante o Carnaval, as pessoas forçam a voz ao gritar por horas seguidas. Isso pode resultar em inflamações, rouquidão severa e até lesões nas cordas vocais“, afirma a médica. Para quem frequenta grandes eventos, o cuidado deve ser contínuo para evitar perdas auditivas permanentes.

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Como diferenciar: é gripe, laringite ou amigdalite?

Saber identificar os sintomas é crucial para o tratamento correto. A médica Anike Nascimbem, também do Hospital Paulista, aponta as principais diferenças:

  • Gripe (Influenza): Geralmente acompanhada de febre, dor no corpo, dor de cabeça e coriza.

  • Laringite: O foco é na laringe, apresentando rouquidão marcante e tosse seca.

  • Amigdalite: Inflamação das amígdalas com dor intensa ao engolir, podendo apresentar placas brancas e febre alta.

Guia de recuperação: 5 passos para voltar à rotina

Para quem exagerou na folia e agora sofre com as consequências, o otorrinolaringologista Fabrizio Romano lista cuidados essenciais:

  1. Repouso vocal absoluto: Evite falar, sussurrar (que força ainda mais a laringe) ou pigarrear. O silêncio é a melhor ferramenta para desinchar as pregas vocais.

  2. Hidratação estratégica: Beba ao menos dois litros de água em temperatura ambiente. Isso fluidifica as secreções e recupera a mucosa.

  3. Ação anti-inflamatória: Para dores instaladas, pastilhas com flurbiprofeno podem agir diretamente na causa da inflamação, aliviando o desconforto de forma rápida.

  4. Alimentação e ambiente: Priorize vegetais frescos para fortalecer a imunidade e evite o ar-condicionado muito gelado, que resseca as vias aéreas.

  5. Atenção aos sinais de alerta: Se a rouquidão durar mais de 15 dias ou se houver dificuldade para respirar e febre persistente por mais de 48 horas, a avaliação médica é indispensável.

Com Assessorias

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