Neste 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, o foco da comunidade médica volta-se para uma estatística poderosa: um terço de todos os casos da doença poderiam ser prevenidos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), hábitos nocivos são responsáveis diretos ou indiretos por cerca de 40% dos tumores, evidenciando que as escolhas cotidianas são a primeira linha de defesa contra a doença.

A conscientização vai além da prevenção primária. Evidências científicas demonstram que manter um estilo de vida equilibrado é crucial mesmo após o diagnóstico. Pacientes que aderem a hábitos saudáveis apresentam uma redução de até 30% nas taxas de recidiva (retorno da doença), transformando o autocuidado em parte integrante do tratamento oncológico.

O impacto da dieta e o perigo dos ultraprocessados

A alimentação desempenha um papel central na modulação do risco de câncer. De acordo com Roberto Odebrecht Rocha, coordenador do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Santa Marcelina, dietas ricas em açúcares, gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados são combustíveis para o aumento dos índices da doença.

Estudos mostram que dietas baseadas no consumo de açúcar, gorduras saturadas, gorduras trans e alimentos ultraprocessados contribuem para o aumento dos índices de câncer de várias formas”, ressalta o oncologista.

A OMS alerta especificamente para o consumo de carnes processadas (salsicha, linguiça, presunto e bacon), classificadas como fatores que aumentam significativamente o risco de câncer de intestino. O consumo elevado de carne vermelha também é considerado um fator de risco provável.

Obesidade e sedentarismo: fatores de risco em ascensão

Ao contrário do que muitos pensam, o açúcar não é um vilão isolado. O American Institute for Cancer Research esclarece que o risco real reside no excesso de gordura corporal decorrente de uma dieta hipercalórica.

A médica oncologista da Hapvida, Abiqueila Silva, destaca que o envelhecimento populacional somado à maior exposição à obesidade e ao sedentarismo explica o aumento de casos, inclusive entre adultos jovens.

A maioria dos cânceres não tem origem hereditária. As mutações genéticas transmitidas de pais para filhos respondem por uma minoria dos diagnósticos. Na maior parte das vezes, o câncer está ligado ao estilo de vida e ao ambiente”, elucida a especialista.

Check-list da prevenção: o que você pode fazer hoje

Para frear as projeções da OMS — que indicam um aumento de 83% na incidência de câncer no Brasil até 2050 —, especialistas recomendam medidas práticas:

  • Abandono do tabagismo: O cigarro continua sendo a causa isolada mais evitável.

  • Controle do Álcool: Reduzir o consumo de bebidas alcoólicas protege o fígado, esôfago e mamas.

  • Atividade física: O exercício regular ajuda no controle do peso e na regulação hormonal.

  • Proteção solar: O uso de protetor é indispensável para prevenir o câncer de pele, o mais comum no Brasil.

  • Exames de rotina: O diagnóstico precoce é a chave para a cura.

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Guia de Rastreio: Quando procurar o médico?

Tipo de Câncer Exame principal Recomendação
Mama Mamografia A partir dos 50 anos (ou 40, conforme indicação médica), a cada dois anos.
Colo do Útero Papanicolau Mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram atividade sexual.
Colorretal Colonoscopia A partir dos 45 ou 50 anos (antecipar se houver histórico familiar).
Pulmão Tomografia de baixa dose Fumantes ou ex-fumantes (50 a 80 anos) com carga tabágica elevada.

O tratamento do câncer evoluiu e hoje é multidisciplinar, envolvendo desde a radioterapia (recebida por cerca de 70% dos pacientes) até o suporte nutricional e psicológico. Instituições de referência reforçam que a humanização e a assistência integral são fundamentais para transformar o prognóstico da doença em uma jornada de superação.

Escolhas inteligentes: substituições para um prato protetor

Pequenas mudanças nas compras do supermercado podem ter um impacto gigante na prevenção a longo prazo. Veja como substituir alimentos de alto risco por opções nutritivas:

Alimento de risco Substituição saudável Por que mudar?
Embutidos (presunto, peito de peru, salame) Frango desfiado, ovos mexidos, homus ou atum em conserva (em água). Embutidos contêm conservantes que aumentam o risco de câncer colorretal.
Carnes processadas (Salsicha, linguiça, bacon) Filé de peixe, peito de frango grelhado ou cogumelos. Carnes processadas são classificadas pela OMS como carcinogênicas do Grupo 1.
Açúcar refinado / doces Frutas frescas, tâmaras ou chocolate com mais de 70% de cacau. O excesso de açúcar leva à obesidade, que está ligada a 13 tipos de câncer.
Arroz e pão branco Versões integrais (arroz integral, aveia, quinoa). Fibras auxiliam no trânsito intestinal e na eliminação de toxinas.
Bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos de caixa) Água com gás e limão, chás naturais gelados ou água de coco. Reduz a ingestão de calorias vazias e corantes artificiais.

Dica de ouro: o prato colorido

Tente garantir que metade do seu prato seja composto por vegetais (crus e cozidos). Quanto mais cores, mais variados são os fitonutrientes — compostos naturais das plantas que ajudam a proteger as células contra danos no DNA.

Com Assessorias

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