O Brasil vem assistindo nas últimas semanas, com casos rumorosos como a morte do cão Orelha., que morreu após ser espancado por um grupo de adolescentes. A punição dos autores e a banalização da violência estão no centro das discussões, assim como a prevenção, a ressocialização e as medidas educativas. 

Ensinar desde cedo às crianças sobre como respeitar os animais é uma boa maneira de evitar tragédias como esta. Muitos pais acreditam – e especialistas reforçam – que adotar um animalzinho pode ajudar as crianças a desenvolver a empatia animal.

Em todo o país, diversas feiras de adoção incentivam o gesto, como a realizada dentro do Festival Mundo Pet, promovido entre os dias 28 de janeiro e 11 de fevereiro em 30 lojas da rede Mart Minas neste sábado (7). Desde 2024, o projeto já transformou a vida de 2.136 pets, que encontraram novas famílias por meio das edições anteriores (saiba mais no fim do texto). 

Para quem não pode ter um pet em casa, o contato assistido é uma alternativa eficaz. Neste sentido, iniciativas públicas também ganham força. Órgãos públicos e organizações não governamentais (ONGs) voltadas ao apoio a animais abandonados ou vítimas de violência acreditam que o estímulo ao contato e os cuidados com animais podem prevenir e interromper ciclos de violência.

Programas públicos de adoção e educação ambiental em São Paulo

Em São Paulo, programas públicos de promoção da guarda responsável – como o Superguardiões, que recebe grupos escolares – e de educação ambiental, como o projeto Leituras – onde crianças em fase de alfabetização leem histórias para cães e gatos em abrigos e centros de doação – têm mostrado resultados surpreendentes.

Além de ajudar no letramento e na sensibilização dos pequenos, a ação torna os animais mais dóceis para futuras adoções e cria “agentes multiplicadores”: crianças que levam para casa a lição de que respeitar um animal é um ato de cidadania.

O projeto Superguardiões começou em 2019 e funciona por agendamento. Em 2025 foram mais de 1.900 visitantes. O foco da estratégia é usar a sensibilização, durante as visitas, como porta de entrada para as orientações. promoção da guarda responsável e da educação ambiental. O espaço recebe grupos escolares, de até 30 crianças, com mediação do contato com os animais e o objetivo de criar consciência nos pequenos, que agem como multiplicadores em seus lares.

A criança é um agente multiplicador, leva para sua família e sua comunidade informações e o entendimento de como é importante respeitar os animais”, explica Telma Tavares, da Secretaria Municipal de Saúde, gestora do espaço.

Crianças leem livros para cães e gatos

A esse programa de portas abertas, se soma outro de visitação dedicado aos pequenos que estão em alfabetização. O programa Leituras leva os pequenos a lerem para os cães e gatos do Centro Municipal de Adoção. Segundo Telma, parte das escolas aproveitou e incluiu a iniciativa no processo de letramento: as crianças não apenas liam histórias para os animais, mas passaram a conhecer sua trajetória e a escrever sobre os bichinhos.

São ações que facilitam a adoção posterior. Os animais vão se tornando mais dóceis, se acostumando com as visitas. Claro que tomamos o cuidado de selecionar aqueles que não são agressivos, mas esse contato ajuda, inclusive, a conscientizar e educar para práticas sustentáveis”, afirma Telma.

Toca Segura transforma a vida de jovens e adolescentes

No Distrito Federal, a ONG Toca Segura – que cuida de cerca de 400 animais em um abrigo no Guará II – realiza um trabalho direto com famílias e adolescentes para quebrar preconceitos. Viviane Pancheri, voluntária da organização há 15 anos, relata casos emocionantes de jovens que venceram o medo e a indiferença através do voluntariado. “Muitos jovens chegam com medo ou indiferença e saem transformados pela rotina de cuidado”, afirma.

Esse contato ajuda o jovem a sair da visão antropocêntrica e entender que a vida do outro — mesmo que de outra espécie — tem valor intrínseco. “Tivemos uma adolescente que começou aos 15 anos para perder o medo de cães. Hoje, ela é médica veterinária”, completa;

É importante que as crianças tenham a percepção de que os animais sentem medo, abandono, felicidade, enfim, que são sencientes [ indivíduos capazes de sentir, perceber o mundo e vivenciar emoções]”, explica.

No abrigo, recebem famílias, que ajudam como voluntárias, pontualmente ou com maior periodicidade. Lá realizam o que chama de educação empática, mostrando ao outro como o cuidado e a atenção são importantes. A partir daí, trabalham valores e a forma como as crianças percebem o cuidado, já no convívio com os cães da Toca.

Essa interação é sempre pensada com bastante cuidado, tanto para acolher a criança quanto para não expor os animais a estresse ou alguma violência. “Lidamos com animais que já passaram por situações de abandono e de violência. Alguns passaram privações, outros têm um pouco mais de dificuldade, são mais arredios”, afirma Viviane.

Experiências que transformam: do medo à medicina veterinária

Para promover esses momentos de troca, uma das estratégias que adotaram foi promover pequenos eventos. Entre eles estão os domingos de passeio. Voluntários pegam um animal e o levam para um passeio. Rápido, breve, mas importante, pois acostuma os animais com a presença humana, os torna mais dóceis e isso ajuda na busca por famílias para adoção. Crianças que atuam nesses eventos também desenvolvem a interação com os animais.

Um caso que sempre gosto de contar é o de uma menina que começou a nos ajudar aos 15 anos. Ela tinha medo de cachorro e nos procurou para perder esse medo. Não demorou muito e já conseguia fazer uma série de tarefas de cuidado. Hoje é veterinária”, conta, emocionada.

Os voluntários também apoiam as feirinhas de adoção, mantendo os animais limpos e hidratados. No Toca, essa função é realizada principalmente por adolescentes. Esse tipo de ação leva a acostumar com o trato comum e a importância que a rotina tem para os animais.

É parecido com o cuidado com os animais comunitários. O exemplo é importante. Se tem um vizinho ou parente que tem um animal, é recomendado levar a criança para conhecê-lo. Ela aprende muito com o exemplo”.

As estratégias de aproximação incluem:

  1. Domingos de passeio: Voluntários levam animais de abrigos para caminhadas curtas, o que ajuda na socialização do pet e na sensibilização do humano.

  2. Responsabilidade supervisionada: Adolescentes auxiliam em feiras de adoção, cuidando da hidratação e limpeza dos animais, aprendendo o valor da rotina e do cuidado.

  3. Cuidado comunitário: Alimentar um animal de rua ou ajudar um vizinho com seu pet são formas práticas de ensinar responsabilidade social desde cedo.

Segundo Viviane, para as crianças maiores e adolescentes, existe a questão da responsabilidade. “É trazer esses animais para perto, mostrar a importância de ter esse cuidado, de forma supervisionada. Não deixar a criança solta, dizendo olha, isso é errado, isso se faz desse jeito. A supervisão na construção da responsabilidade é muito importante, também para os cães comunitários. Alimentar, por exemplo, os animais na rua é uma ótima maneira. Vê-la oferecer, fazer boas ações e elogiar isso, o que leva à formação de um ser humano melhor”, diz.

Guia da adoção responsável: o que considerar antes de levar um pet para casa

Se a convivência educativa despertar o desejo de adotar, é preciso planejamento para evitar o abandono, que também é uma forma de violência. O processo de adoção, que resulta muitas vezes da convivência e do cuidado com animais, tem algumas regras de ouro. Essas são algumas, sugeridas por Telma e Viviane:

  • considerar se todos os membros da família estão de acordo e conscientes das responsabilidades que terão com o animal;
  • pensar de forma realista se a família tem condições de cuidar. Não apenas em relação à questão material, mas também a ter tempo e condições de adaptar a rotina;
  • refletir se o planejamento de vida da família se adequa à adoção;
  • planejar, para evitar abandono e manter cuidados de forma adequada.

Confira as “regras de ouro” sugeridas por especialistas:

Critério O que avaliar?
Consenso familiar Todos na casa estão de acordo e dispostos a ajudar?
Recursos e tempo Você tem orçamento para vacinas/ração e tempo para passeios?
Rotina O animal se adapta ao seu estilo de vida atual e futuro (viagens, mudanças)?
Espaço físico O local é seguro e adequado para o porte e energia do animal?

 

Mãos à obra: onde se voluntariar no Rio de Janeiro

A vivência prática é o estágio final da empatia. Para adolescentes que desejam atuar em programas de Intervenção ou Educação Assistida por Animais, listamos iniciativas que aceitam jovens voluntários (geralmente acompanhados ou com autorização):

Projeto Pêlo Próximo: * O que fazem: Referência em Pet Terapia (TAA) no Rio, visitando hospitais e instituições.

Voluntariado: Aceitam jovens para auxiliar na logística das visitas e em eventos de conscientização. É uma oportunidade de ver a Saúde Única na prática: o animal curando o humano e vice-versa.

Site: peloproximo.com.br

ONG Paraíso dos Focinhos:

O que fazem: Resgate e reabilitação física e emocional de animais.

Voluntariado: Possuem programas onde adolescentes podem ajudar na socialização dos animais (brincar, passear e dar carinho), o que é vital para que o bicho recupere a confiança nos humanos.

Contato: paraisodosfocinhos.com.br

ONG Indefesos:

O que fazem: Focam em resgate e educação para guarda responsável.

Voluntariado: Jovens podem atuar em campanhas educativas e eventos de adoção, aprendendo sobre a legislação e o bem-estar animal.

Site: osindefesos.com.br

Refauna (Educação Ambiental):

O que fazem: Reintrodução de espécies nativas na Floresta da Tijuca.

Voluntariado: Ideal para jovens interessados no pilar ambiental da Saúde Única. Oferecem programas de voluntariado pontual para sensibilização e divulgação científica.

Site: refauna.org.br

Nota Importante: De acordo com a Lei do Voluntariado, menores de 18 anos precisam de autorização por escrito dos responsáveis. Algumas ONGs exigem que o adolescente esteja acompanhado de um adulto durante as atividades diretas com os animais.

 

Feira de adoção no Festival Mundo Pet em Minas

A primeira edição de 2026 do evento de adoção do Festival Mundo Pet no Mart Minas acontece neste sábado, dia 7 de fevereiro, das 9h às 14h, de forma simultânea em mais de 30 lojas da rede (com exceção da unidade de Três Pontas, que ocorrerá das 14h às 17h).

Durante a ação, os clientes poderão conhecer e interagir com cães e gatos disponíveis para adoção, todos resgatados e acompanhados por ONGs e protetores parceiros.  Cada unidade contará com a parceria de uma instituição local da causa animal, responsável pela condução das adoções e orientações aos futuros tutores. Adoção é um ato de amor, e também de responsabilidade.

A iniciativa tem como principal objetivo proporcionar um lar cheio de amor para cães e gatos resgatados, além de reforçar a importância da adoção responsável e de temas fundamentais ligados ao bem-estar animal.

Além da adoção, o evento se propõe a ser um espaço de conscientização, promovendo o diálogo sobre castração, vacinação, alimentação adequada e cuidados com a saúde dos pets, além de alertar sobre os graves problemas do abandono e dos maus-tratos, que são crimes.

Com Agência Brasil e Assessorias

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