O crescente uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro), trouxe à tona discussões essenciais sobre segurança e efeitos colaterais. Recentemente, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido emitiu um alerta sobre o risco de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam essas substâncias.
Em nota oficial, a agência destacou que, embora a pancreatite seja um efeito colateral conhecido e pouco frequente, existem casos extremamente raros em que as complicações podem ser particularmente graves. A diretora de Segurança da MHRA, Alison Cave, reforçou que, para a grande maioria dos pacientes com prescrição adequada, os fármacos são seguros e eficazes, mas a ciência dos riscos é fundamental para a segurança do tratamento.
Sintomas de alerta e a importância do diagnóstico precoce
A pancreatite é uma inflamação no pâncreas, glândula responsável pela digestão e controle do açúcar no sangue. Quando causada por medicamentos, ela pode se manifestar de forma aguda e súbita. O diagnóstico rápido é crucial para evitar que o quadro evolua para a forma grave, que pode incluir insuficiência respiratória e falência renal.
De acordo com o comunicado da MHRA e especialistas da área, pacientes e médicos devem estar atentos aos seguintes sinais:
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Dor abdominal intensa e persistente: Frequentemente irradia para as costas.
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Sintomas gastrointestinais: Náuseas e vômitos persistentes.
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Sinais físicos: Febre, inchaço abdominal e icterícia (pele e olhos amarelados).
O que dizem os especialistas sobre o uso de GLP-1
Um artigo publicado na plataforma científica PubMed, intitulado “Pancreatitis and GLP-1 receptor agonists”, discute as evidências dessa associação. Acredita-se que o estímulo prolongado do receptor de GLP-1 possa levar a uma hiperplasia das células do ducto pancreático, desencadeando a inflamação em indivíduos suscetíveis.
Para o Dr. Fernando Hess, médico especialista em exercício e esporte e coordenador na Unisa, o aumento da procura por essas canetas deve vir acompanhado de responsabilidade. “Muitos chegam ao consultório com expectativas irreais e orientações equivocadas. O uso sem avaliação médica gera riscos desnecessários”, alerta.
Já a endocrinologista Dra. Patrícia Zach, do Hospital Dia Campo Limpo (CEJAM), ressalta que o tratamento da obesidade é multifatorial. Ela aponta que, além da pancreatite, o uso desregulado pode causar desde queda de cabelo até o “efeito sanfona”. “Não existe tratamento milagroso. Cada caso exige compreensão da dinâmica de vida do paciente e acompanhamento multidisciplinar”, afirma.
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Quando a intervenção cirúrgica torna-se necessária
Embora o tratamento inicial da pancreatite seja clínico — envolvendo jejum, hidratação intravenosa e controle da dor — nem sempre essas medidas são suficientes. O Dr. Ernesto Alarcon, cirurgião especializado em videolaparoscopia, explica que a cirurgia pode ser decisiva em casos de complicações graves.
A intervenção é indicada quando surgem:
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Cálculos biliares (pedras na vesícula) que bloqueiam o ducto pancreático.
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Pseudocistos ou abscessos que exigem drenagem.
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Áreas de necrose infectada, que colocam a vida em risco.
Orientações para um tratamento seguro
A perda de peso média varia conforme o metabolismo e a adesão ao tratamento, mas a segurança deve ser a prioridade. Especialistas recomendam que, antes de iniciar o uso de qualquer agonista de GLP-1, o paciente realize um check-up completo, incluindo exames de amilase, lipase e ultrassonografia de abdome, para descartar riscos preexistentes.
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