Xixi na cama: em vez de repreender seu filho, procure ajuda médica

xixi

Fazer xixi na cama após os 5 anos não é motivo para castigo. Trata-se de uma doença que atinge cerca de 15% das crianças em todo o mundo. No dia 30 de maio, em que se lembra o Dia Mundial da Enurese Noturna (xixi na cama), a Sociedade Brasileira de Urologia alerta que os pais não devem reprimir seus filhos que ainda deixam escapar urina durante a noite, é preciso procurar ajuda médica para tratá-lo.

“Punir a criança pode piorar ainda mais seus sintomas e sua qualidade de vida. O ideal é buscar tratamento”, explica o chefe do Departamento de Uropediatria da SBU, o urologista mineiro Jose Murillo Bastos Netto. A data é estipulada pela Sociedade Internacional de Incontinência Urinária Infantil e a Sociedade Europeia de Pediatria Urológica e tem sido abraçada pela Sociedade Brasileira de Urologia.

A enurese noturna é a perda incontrolável de urina enquanto a criança dorme. É considerada uma condição comum até 5 anos. Após essa idade já se considera um problema que deve ser tratado. Estimativas mundiais apontam que 15% das crianças com 5 anos ainda fazem xixi na cama. Na maioria dos casos, incontinência urinária é causada por um excesso de produção de urina à noite ou pela capacidade da bexiga reduzida. Uma incapacidade de acordar impede que a criança desperte com o desejo de urinar.

A enurese pode estar associada com inúmeros problemas comportamentais, como baixa autoestima, perda na qualidade de vida e até diminuição do rendimento escolar. Entre os tratamentos, os mais comuns são o uso de medicamentos orais e o de um alarme sonoro a ser colocado na roupa íntima infantil. Jose Murillo Bastos Netto responde todas as principais dúvidas sobre enurese noturna:

– O que é enurese noturna?

Enurese é a perda involuntária de urina durante o sono após os 5 anos.

– Quais são os tipos de enurese noturna?

Classificação da Enurese

* Quanto ao tempo de início

Primária: Quando a criança sempre teve enurese.

Secundária: Quando a criança ficou pelo menos 6 meses sem apresentar enurese e voltou a apresentar.

* Quanto aos sintomas

Monossintomática: O único sintoma é a enurese.

Não monossintomática: Quando, além da enurese, a criança apresenta outros sintomas miccionais, como urgência, incontinência, etc.

– Quando procurar um médico para auxílio?

Se, após os 5 anos, a criança ainda apresentar enurese.

– Quais são as causas da enurese noturna?

A enurese tem causas multifatoriais, sendo as principais:

* Genética: 44% das crianças cujo um dos pais teve enurese e 77% daquelas que ambos os pais tiveram enurese terão enurese.

* Poliúria Noturna: Algumas crianças com enurese apresentam uma alteração na secreção noturna do ADH (Hormônio Antidiurético) e terão a produção de urina aumentada durante a noite.

* Hiperatividade Vesical Noturna: Algumas crianças apresentam contrações involuntárias da bexiga durante o sono, que causam a perda de urina.

* Distúrbios do Sono e Despertar: Criança com enurese tem dificuldade de despertar, não acordando com os sinais da bexiga cheia ou com a contração da mesma (hiperatividade vesical).

– Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito, basicamente, através de uma história clínica bem detalhada, quando o médico obtém os dados e detalhes dos sintomas da crianças e com uso de um instrumento chamado Diário Miccional, no qual se avalia o padrão miccional da criança durante o diae o volume que ela urina durante a noite.

– Quais são os tratamentos existentes hoje em dia para o problema?

O tratamento da enurese deve ser individualizado, sendo que cada criança, dependendo do tipo de enurese que apresenta, responderá melhor a um tipo de tratamento. É importante lembrar que a resposta ao tratamento da enurese é lenta e o envolvimento e participação tanto da criança quanto da família são extremamente importantes para o sucesso.

* Tratamento Comportamental: Feito em todas as crianças em conjunto com os outros tratamentos. Baseia-se na mudança de alguns hábitos, como a redução da ingestão de líquidos à noite e aumento da ingestão no início do dia, orientação para urinar em intervalos regulares de cerca de 3 horas durante o dia, ao acordar e antes de dormir; reduzir o consumo de alimentos que contêm cafeína e alimento cítricos; reduzir o consumo de sal, principalmente no final do dia. Além disso, usa-se um instrumento chamado de Diário de Noites Secas, no qual os episódios de enurese são anotados. Esse diário, além de estimular a criança, serve para controle do tratamento.

* Tratamento de Condicionamento (Alarme): Uso de um dispositivo de alarme, que é colocado próximo à cabeceira da cama da criança e que contém um sensor de umidade colocado dentro da roupa íntima ou como um pequeno tapete sob o lençol. Esse sensor de umidade, quando molhado, aciona e dispara o alarme para acordar a criança, que ao longo do tempo de uso será condicionada a perceber a bexiga cheia e não mais terá episódios de enurese.

* Tratamento Medicamentoso: O principal medicamento disponível no mercado é a desmopressina, que age diminuindo a produção de urina durante a noite, portanto age melhor nas crianças com poliúria noturna.

Outros medicamentos, como os anticolinérgicos, têm resultados ruins, mas podem ser usados naqueles casos em que a criança apresenta enurese não monossintomática, com sintomas de urgência. Os antidepressivos tricíclicos, como a Imipramina, apresentam resultados muito ruins e têm risco de intoxicação se usados em doses erradas, portanto, são raramente indicados.