Slow Medicine: os benefícios da Medicina sem pressa e humanizada

 

Slow Medicine

Quem nunca entrou num consultório e o médico, sem sequer lhe perguntar o que tem ou encostar o dedo em você, já te liberou, geralmente com uma receitinha debaixo do braço? Pois o fato é que em nome da rotina acelerada, muitos médicos pouco escutam e tocam os pacientes, antes de receitar a medicação. Dar um freio nessa “prática desumanizada” é a proposta da Slow Medicine, movimento mundial que chegou ao Brasil e tem se intensificado, gerando benefícios para os pacientes.

Neste sábado, dia 26 de agosto, às 10h, a Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase) debaterá o tema, quando os professores Regis Vieira e Luis Eduardo Fontes receberão o clínico-geral, geriatra e cofundador do movimento no Brasil José Carlos Aquino de Campos Velho, que trabalha em São Paulo.

Formado pela própria FMP/Fase e no Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada, Regis Vieira atua na unidade de saúde Machado Fagundes, gerida pela FMP/Fase em Petrópolis, buscando a redução do uso de medicamentos pelos pacientes. Para ele, a maior atenção no atendimento, sem pressa, faz toda a diferença. Numa rápida entrevista ao Blog Vida & Ação, o especialista fala mais a respeito.

1 – Como o leigo pode entender a Slow Medicine?

Ela é a medicina baseada no tripé “sóbria, justa e respeitosa”, procurando a abordagem centrada na pessoa, utilizando das evidências científicas para uma prática racional dos recursos em saúde. A soma explosiva de uma sociedade que deposita no consumo a sua felicidade, com tecnologias em saúde no seu ápice e a doença como centro fez com que os profissionais de saúde fossem chamados à humanização. Para reforçar esse processo, um movimento chamado Slow Medicine surgiu em Torino, Itália, em 2011, trazendo para o centro do cuidado o ator primordial: o paciente.

2 – O movimento tem força no Brasil?

O movimento Slow Medicine vem se espalhando pelo mundo e, no Brasil, foi traduzido como medicina sem pressa.  É conduzido por um grupo de profissionais que têm o geriatra José Carlos Campos Velho como um dos seus idealizadores mais atuantes, a partir de São Paulo, e cada vez mais merece a atenção de médicos e a compreensão dos pacientes.

3 – Além da maior atenção ao paciente, o que a Slow difere da medicina tradicional?

Acreditamos no mote de que a abordagem centrada na doença, no check up regular, era o melhor caminho à boa saúde. Isso não é bem verdade. Uma rede global independente de pesquisadores, profissionais, pacientes, cuidadores e pessoas interessadas em saúde, a Cochrane, publicou em 2012 um estudo que verificou se a realização de exames anuais reduzia morbidade e/ou mortalidade. Pasmem, não reduz. E, o pior: os sobrediagnósticos levaram os pacientes à condição de “doentes”, sendo submetidos a intervenções desnecessárias e, consequentemente, a mais danos do que benefícios. É isso que a Slow Medicine quer evitar.

Serviço:

Palestra com José Carlos Aquino de Campos Velho

Data: 26/8/2017

Horário: 10h às 13h

Preço: R$ 15 para alunos e R$ 25 para profissionais de saúde.

Onde: Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase) – Av. Barão do Rio Branco 1003, Centro, Petrópolis

Informações: (24)  2244-6464

http://fmpfase.edu.br/curso/2017_Curso/3917SlowMedicine2017/