Silicone com chip promete mais segurança na cirurgia para aumentar seios

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Imagine implantar um seio de silicone que já vem com um microchip capaz de rastrear detalhes sobre a prótese, inclusive o seu prazo de validade? Pois a novidade já está disponível no mercado brasileiro para ser comercializada e promete tornar ainda mais cara a cirurgia para aumento de mama, cujo preço médio hoje varia entre R$ 3 mil e R$ 7 mil. O chamado implante de silicone inteligente promete garante mais segurança às pacientes e também aos médicos.

“Por meio de um aparelho portátil que lê as informações do microchip, é possível ter acesso, de forma rápida e não invasiva, a dados importantes, como o nome do fabricante, o lote, a data de fabricação, o modelo e o tamanho da prótese”, explica o cirurgião plástico Cláudio Lemos, membro das Associações Brasileira e Americana de Cirurgia Plástica e pós-graduado pelo Instituto Ivo Pitanguy.

O médico ainda explica que esse é um grande avanço, pois muitas vezes os dados se perdem. “Após alguns anos, a paciente troca de médico e não sabe dizer a marca nem o tamanho da prótese dela. Ter essas informações facilita o trabalho do cirurgião no caso de uma troca do implante e dá mais proteção às mulheres”, afirma Lemos.

O modelo desenvolvido pela marca Motiva Implants funciona como um microchip de cobre revestido por vidro, que foi encapsulado dentro das próteses de mamas da como um recurso, biocompatível e seguro, para armazenar dados. A novidade recebeu o registro da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no final de março e as primeiras cirurgias estão previstas para este mês. Na Europa, implantes com chip já são usados há sete anos.

ClaudioLemos

O cirurgião Claudio Lemos explica os benefícios que a nova tecnologia pode trazer a pacientes e médicos (Foto: Divulgação)

 

Tanta tecnologia tem um preço: “O valor da cirurgia com esse tipo de prótese pode subir em torno de 20%. Mas o custo compensa pela segurança e por saber a origem do produto”, acredita o médico Cláudio Lemos. Em um futuro próximo, será possível também avaliar outros parâmetros, como a temperatura e a pressão interna do implante, o que pode diagnosticar casos de contratura capsular ou ruptura da prótese – complicações mais frequentes na cirurgia de aumento de mamas sem precisar de exames de ressonância magnética.

Nanotecnologia para reduzir risco de infecção

Além do microchip, a nova prótese traz outra evolução histórica da cirurgia plástica: a nanotextura. Por meio da nanotecnologia, cientistas da Universidade de Manchester, no Reino Unido, desenvolveram esse tipo de superfície com o objetivo de diminuir os riscos de infecção e contratura capsular — formação de uma espécie de cicatriz ao redor da prótese, que pode causar deformação e a ruptura dela, além de desconforto e dor.

De acordo com o estudo da universidade, com a prótese nanotexturizada a incidência de casos de contratura capsular em um período de oito a dez anos caiu de 10% a 2%.Um outro ponto positivo foi a vantagem do novo gel de silicone com elasticidade excepcional para facilitar a inserção dos implantes e incisões menores.”Não tínhamos nenhum grande avanço nesse sentido há cerca de 30 anos” finaliza Lemos.

Fonte: Claudio Lemos