Selena Gomez:’ O lúpus continua sendo uma doença incompreensível’

A cantora Selena Gomez teve que se submeter a um transplante de rim por causa do lúpus (Reprodução do Instagram)

A cantora Selena Gomez teve que se submeter a um transplante de rim por causa do lúpus (Reprodução do Instagram)

Com lúpus eritematoso sistêmico (LES) desde 2015, a cantora norte-americana Selena Gomez surpreendeu o mundo ao anunciar que se submeteu a uma cirurgia para transplante de rim. No dia 14 deste mês, ela usou seu Instagram para explicar aos fãs que se afastou da carreira para fazer o tratamento. “O lúpus continua sendo uma doença incompreensível, mas o progresso está sendo feito”, escreveu. Ela ainda publicou uma imagem em que aparece no hospital, de mãos dadas com a doadora, a atriz Francia Raísa. As complicações causadas pelo lúpus, associado à fibromialgia, também podem ter feito a cantora Lady Gaga desistir de se apresentar no Rock in Rio.

Considerada uma doença rara e ainda muito desconhecida pela população,  o LES é autoimune, complexo e de difícil diagnóstico. A doença atinge 200 mil brasileiros  e pode afetar vários órgãos, como pele, rins, pulmões, cérebro, coração e articulações. No caso de Selena, o lúpus atingiu gravemente seus rins, provocando uma doença renal que levou à necessidade de um transplante. Cerca de 50% dos acometidos pela forma sistêmica da doença podem apresentar problemas nos rins em diversos graus de gravidade.

A nefrologista Ana Beatriz Barra, gerente médica da Fresenius Medical Care, explica que o lúpus é raro e em termos de doença renal crônica responsável por menos de 1% dos casos, junto com outras patologias que causam falência renal. Nestes casos, o transplante não costuma ser uma abordagem inicial comum, pois nem sempre é possível, disponível ou mesmo desejável. Nestes casos a diálise é a opção de terapia substitutiva da função renal.

 

5 informações importantes sobre lúpus

Frederico Marcondes, médico reumatologista do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e gerente médico da GSK, lista cinco informações importantes sobre o lúpus:

Tipos – Existem três tipos da doença. No Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), um ou mais órgãos internos são acometidos. Já o Lúpus Cutâneo é restrito à pele. O terceiro é o Lúpus Induzido por Drogas, que surge após a administração de medicamentos, podendo haver comprometimento cutâneo e de outros órgãos. Em geral há melhora com a retirada do medicamento que desencadeou o quadro.

Sintomas –  Cansaço, desânimo, febre baixa, perda de apetite, queda de cabelo, inflamação nas articulações – sendo esta observada em mais de 90% dos pacientes. As lesões de pele mais características são manchas avermelhadas no rosto, conhecidas como “lesões em asa de borboleta”. Podem ocorrer ainda manifestações em outros órgãos como rins, pulmão, coração e cérebro.

Diagnóstico – Muitas vezes, o LES é confundido com outras doenças, por isso é comum a demora no diagnóstico. Este é feito pela presença de manifestações clínicas combinadas a resultados de exames laboratoriais.

Tratamento – Deve ser individualizado, dependendo das manifestações apresentadas. O médico reumatologista determinará o tratamento mais adequado, sendo fundamental sua revisão constante em consultas realizadas a cada 3 a 6 meses (em períodos de atividade da doença, pode ser necessário acompanhamento mais frequente).

Mito – O LES não é contagioso e também não é um tipo de câncer. Trata-se de uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico do paciente ataca o seu próprio organismo.

Quando o transplante não é possível 

“Nem sempre o transplante é possível, quer seja pela disponibilidade de um doador, quer seja pelas condições clínicas do paciente. E também pode acontecer de não ser desejado pelo paciente; especialmente pelos muito idosos ou por aqueles que por algum motivo temem o procedimento. Hoje o paciente em diálise pode ter uma boa qualidade de vida, ser produtivo, manter suas atividades e concretizar sonhos. É importante esclarecer isso”, explica.

A nefrologista lembra que o transplante tem a grande vantagem de oferecer maior liberdade, uma vida o mais próxima possível da normal. “Mas o paciente que não tem esta oportunidade também pode viver bem, mesmo que não seja transplantado. Uma boa avaliação médica deve observar as características clínicas, psicológicas e de estilo de vida de cada paciente para decidir o melhor tratamento”, explica a médica.

 

Nova terapia substitui a diálise

Para quem não sabe o rim é o único órgão que pode ter sua função substituída por um equipamento, que faz a filtração do sangue, em procedimentos que duram até quatro horas, com a periodicidade de três a seis vezes por semana.  E destaca que com a evolução das terapias existentes, o paciente renal tem conseguido obter uma boa qualidade de vida. Uma novidade que acaba de chegar ao Brasil renova a esperança dos doentes renais: a hemodiafiltração de alto volume, também conhecida como High Volume HDF, trazida pela Fresenius Medical Care.

O procedimento já é reconhecido como a modalidade de tratamento de diálise mais eficaz e que mais se aproxima da função do rim naturalEm Portugal, por exemplo, 60% de todos os pacientes em diálise realizam a terapia High Volume HDF. São 32 hospitais públicos e 92 clínicas privadas oferecendo a terapia – em 93% dos casos os equipamentos são da Fresenius. Na Europa, cerca de 20% dos pacientes em diálise realizam HDF de alto volume.

“Esta terapia se diferencia da hemodiálise porque permite uma melhor remoção de toxinas, que são nocivas para o organismo e não eram removidas de forma adequada pela hemodiálise. Estudos científicos demonstram que com este tratamento, o paciente é menos hospitalizado, tem uma melhor qualidade de vida e menor mortalidade”, explica a nefrologista. Ela lista os benefícios da HDF de alto volume: redução do risco de queda da pressão arterial durante a diálise, mais disposição para as atividades diárias e melhor qualidade de vida, redução de episódios de internação e melhor sobrevida.

O maior estudo sobre esta terapia foi realizado na Espanha, encomendado pelo governo da Catalunha (Estudo ESHOL), com 906 pacientes, sendo destes 450 em hemodiálise e 456 em hemodiafiltração de alto volume, e acompanhados por 36 meses. Os resultados demonstraram 30 % de redução da mortalidade por todas as causas, 22% de redução de risco de todas as causas de hospitalização e 28% de redução do risco de incidência de episódios de hipotensão (pressão baixa) durante o tratamento.

Confira o post de Selena Gomez

“Estou ciente de que alguns de meus fãs notaram que eu estava quietinha durante parte do verão e eles me questionaram porque eu não estava promovendo minhas novas músicas, das quais eu estou extremamente orgulhosa. Eu descobri que eu precisava fazer um transplante de rim devido a meu lúpus e eu estava em recuperação. Isso é algo que eu precisava fazer por minha saúde. Eu honestamente estava ansiosa por dividir isso com vocês minha jornada por vários meses, assim como eu sempre esperei fazer isso com vocês.

Descobri que precisava fazer um transplante de rim devido a meu lúpus e estava em recuperação. Isso é algo que precisava fazer por minha saúde. Honestamente estava ansiosa por dividir isso com vocês minha jornada por vários meses, assim como sempre esperei fazer isso com vocês.

Por enquanto, gostaria de agradecer publicamente à minha família e a essa incrível equipe médica por tudo o que eles fizeram por mim antes e depois da cirurgia. E, finalmente, não existem palavras para descrever o quanto eu agradeço à minha linda amiga Francia Raísa. Ela me deu o derradeiro presente e sacrifício ao doar de seu rim para mim. É uma benção inacreditável. Te amo muito, irmã. O lúpus continua sendo uma doença incompreensível, mas o progresso está sendo feito”.

Fonte: Fresenius Medical Care, GSK e Instagram