Risco de surto de dengue, zika e chikungunya cai no Rio

dengue-zika

O Rio de Janeiro está entre as nove capitais brasileiras, dentre 17 analisadas, que apresentaram índices satisfatórios no novo Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa), o chamado Mapa da Dengue. Apesar disso, o estudo indica 21 municípios em situação de alerta para um surto de dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo Aedes aegypti. Outras 67 cidades, incluindo a capital, estão em situação satisfatória. No estado, 88 dos 92 municípios realizaram o LIRAa entre outubro e novembro de 2017.

O novo levantamento aponta 357 municípios brasileiros em situação de risco de surto das três doenças. Isso significa que mais de 9% das casas visitadas nestas cidades continham larvas do mosquito. Com a resolução que o tornou obrigatório, aumentou em 73% o número de municípios brasileiros que fizeram o LIRAa neste ano em relação a 2016.  No total, 3.946 cidades de todo o país fizeram o levantamento.

Os índices de notificação das três doenças também vêm caindo em todo o país. Até 11 de dezembro, foram registrados 16.870 casos prováveis de zika, uma redução de 92,1% em relação a 2016 (214.126). A taxa de incidência passou de 103,9 em 2016 para 8,2 neste ano.  O número de casos prováveis de dengue passou de 1.463.007 para 239.076, uma redução de 83,7%. Já o número de casos prováveis de febre chikungunya ficou em 184.458, o que representa uma taxa de incidência de 89,5 casos para cada 100 mil habitantes. A redução é de 32,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 271.637 casos. A taxa de incidência no mesmo período de 2016 foi de 131,8 casos/100 mil/hab.

Os dados foram apresentados em Brasília, durante o lançamento da campanha publicitária do Ministério da Saúde. Por meio de histórias reais, são mostradas as consequências do mosquito na vida de famílias brasileiras. A campanha começa a ser exibida nesta terça-feira (28) e será veiculada na TV, rádio, internet e redes sociais. Além disso, a partir de 8 de dezembro, todas as sextas-feiras do mês serão celebradas como “Sexta sem Mosquito”. Será um dia de mutirão de limpeza que busca mobilizar a comunidade, os órgãos públicos e privados e os parceiros na luta contra os focos de reprodução dos mosquitos nas casas, escolas, praças e espaços públicos. Também está previsto o dia D de mobilização contra o mosquito, em 15 de dezembro.

Mais sobre a campanha

Na campanha integrada criada pela agência brasiliense Fields360, o objetivo é mobilizar e conscientizar a população de que o combate à proliferação do mosquito começa dentro da própria casa, é responsabilidade de cada um e pode gerar mudança positiva na vizinhança. A nova campanha chama atenção da população para os riscos das doenças transmitidas pelo vetor (dengue, zika e chikungunya) e convoca a todos ao seu enfrentamento. O material alerta: “Um mosquito pode prejudicar uma vida. E o combate começa por você. Faça sua parte e converse com seu vizinho”.

Para isso, a campanha utilizará depoimentos reais de três personagens que tiveram suas vidas transformadas de alguma forma pelo mosquito: Luciano Alencastro, morador de Fortaleza-CE, que sofre de chikungunya; Rosineide Mota, moradora de Bom Jardim-PE, que perdeu a filha por causa da Dengue; e Irailde Paiva, moradora de Manaus-AM, que tem uma filha com microcefalia em decorrência do Zika vírus na gestação.

A ação será intensificada em regiões com maior incidência das três doenças, com peças com abordagem geral sobre o tema e outras segmentadas para cada uma delas. Também foram preparadas peças de não mídia, como cartazes e panfletos informativos, que serão distribuídas. Todos os materiais da campanha estarão concentrados no site saude.gov.br/combateaedes.

 

Mais sobre o levantamento: municípios em alerta

Além das cidades em situação de risco, o LIRAa identificou 1.139 municípios em alerta, com índice de infestação de mosquitos nos imóveis entre 1% a 3,9% e 2.450 municípios com índices satisfatórios, com menos de 1% das residências com larvas do mosquito em recipientes com água parada.

Entre as 17 capitais que o Ministério da Saúde recebeu informações sobre o LIRAa, estão com índices satisfatórios os municípios de Macapá (AP), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ) e Palmas (TO).

As capitais com índices em estado de alerta são:  Maceió (AL), Manaus (AM), Salvador (BA), Vitória (ES), Recife (PE), Natal (RN), Porto Velho (RO), Aracajú (SE) e São Luis (MA). As capitais Belém (PA), Boa Vista (RR), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Brasília (DF) e Rio Branco (AC) não informaram os dados ao Ministério da Saúde.

Redução na incidência das doenças

Dengue – Com relação ao número de óbitos, também houve queda significativa (82,4%), reduzindo de 694 óbitos em 2016 para 122 em 2017. Da mesma forma, os registros de dengue grave caíram 73%, de um ano para outro, passando de 901, em 2016, para 243 em 2017. Já dengue com sinais de alarme passou de 8.875 em 2016 para 2.209 em 2017, apresentando uma redução 75% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em todo país, a região Nordeste apresentou o maior número de casos prováveis (84.051 casos; 35,2%) em relação ao total do país. Em seguida aparecem as regiões Centro-Oeste (74.691 casos; 31,2%), Sudeste (55.381 casos; 23,2%), Norte (21.057 casos; 8,8%) e Sul (3.896 casos; 1,6%).

A análise da taxa de incidência de casos prováveis de dengue (número de casos/100 mil hab.), em 2017, até o dia 11 de novembro, segundo regiões geográficas, evidencia que as regiões Centro-Oeste e Nordeste apresentam as maiores taxas de incidência: 476,9 casos/100 mil hab. e 147,7 casos/100 mil hab., respectivamente. Entre as Unidades da Federação (UFs), destacam-se Goiás (906,3 casos/100 mil hab.), Ceará (457,7 casos/100 mil hab.) e Tocantins (322,5 casos/100 mil hab.).

Chikungunya –  A região Nordeste apresentou o maior número de casos prováveis de febre de chikungunya (141.363 casos; 76,6%) em relação ao total do país. Em seguida aparecem as regiões Sudeste (23.169 casos; 12,6%), Norte (16.125 casos; 8,7%), Centro-Oeste (3.467 casos; 1,9%) e Sul (334 casos; 0,2%). Neste ano, foram confirmados laboratorialmente 149 óbitos. No mesmo período do ano passado, foram 211 mortes confirmadas, uma redução de 29,4%.

Zika – As regiões Centro-Oeste e Norte apresentam as maiores taxas de incidência: 38,3 casos/100 mil hab. e 12,2 casos/100 mil hab., respectivamente. Entre as UFs, destacam-se Mato Grosso (64,5 casos/100 mil hab.), Goiás (55,9 casos/100 mil hab.), Tocantins (45,5 casos/100 mil hab.) e Roraima (43,4 casos/100 mil hab.). Em relação às gestantes, foram registrados 2.197 casos prováveis, sendo 901 confirmados por critério clínico-epidemiológico ou laboratorial.

Aumento de 73% no número de municípios no Mapa da Dengue

 

Realizado de outubro até a primeira quinzena de novembro, o LIRAa teve adesão recorde de municípios para este período do ano, com 3.946 cidades participantes, um aumento de 73% se comparado com o mesmo período do ano passado, quando 2.282 municípios fizeram o levantamento. Essa ampliação foi possível porque neste ano o Ministério da Saúde publicou a resolução nº 12 que tornou obrigatória a realização de levantamentos entomológicos de infestação pelo mosquito Aedes aegypti.

A realização deste monitoramento ficou condicionada ao recebimento da segunda parcela do Piso Variável de Vigilância em Saúde, recurso extra, que deve ser utilizado exclusivamente para ações de combate ao mosquito. Até então, o levantamento era feito a partir da adesão voluntária de municípios.

Para o secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, o levantamento é fundamental para prever ações locais. “É necessária uma visão global da situação, por isso o levantamento tem papel essencial nas decisões nacionais, mas principalmente locais, porque o levantamento traz detalhes de focos de mosquito por bairros e com isso o gestor pode prever ações efetivas de controle da proliferação do mosquito”, destacou.

O Mapa da Dengue, como é chamado o LIRAa, é um instrumento fundamental para o controle do mosquito. Com base nas informações coletadas no LIRAa, o gestor pode identificar os bairros onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito, bem como o tipo de depósito onde as larvas foram encontradas. O objetivo é que, com a realização do levantamento, os municípios tenham melhores condições de fazer o planejamento das ações de combate e controle do mosquito Aedes aegypti.

CRIADOUROS – A metodologia permite identificar onde estão concentrados os focos do mosquito em cada município, além de revelar quais os principais tipos de criadouros, por região. Os resultados reforçam a necessidade de intensificar imediatamente as ações de prevenção contra a dengue, zika e chikungunya, em especial nas cidades em risco e em alerta.

O armazenamento de água no nível do solo (doméstico), como tonel, barril e tina, foi o principal tipo de criadouro nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. Nas regiões Norte e Sul o maior número de depósitos encontrados foi em lixo, como recipientes plásticos, garrafas PET, latas, sucatas e entulhos de construção. Na região Sudeste predominou os depósitos móveis, caracterizados por vasos/frascos com água e pratos.

 

AÇÕES – As ações de prevenção e combate ao mosquito Aedes aegypti são permanentes e tratadas como prioridade pelo Governo Federal. Desde a identificação do vírus Zika no Brasil e sua associação com os casos de malformações neurológicas, o governo mobilizou todos os órgãos federais (entre ministérios e entidades) para atuar conjuntamente, além de contar com a participação dos governos estaduais e municipais na mobilização de combate ao vetor.

Para isso, o Ministério da Saúde tem garantido orçamento crescente aos estados e municípios. Os recursos para as ações de Vigilância em Saúde, incluindo o combate ao Aedes aegypti, cresceram 83% nos últimos anos, passando de R$ 924,1 milhões em 2010 para R$ 1,7 bilhão, em 2016. Para 2017, a previsão é que o orçamento de vigilância em saúde para os estados chegue a R$ 1,96 bilhão. Este recurso é destinado à vigilância das doenças transmissíveis, entre elas dengue, zika e chikungunya. O recurso é repassado mensalmente a estados e municípios. Além disso, desde novembro de 2015 foram repassados cerca de R$ 465 milhões para pesquisas e desenvolvimento de vacinas e novas tecnologias, além de destinar mais R$ 395,3 milhões para o eixo de assistência à saúde.

Panorama dos Estados

Região

UF

Total de Municípios

Total de Municípios que fizeram LIRAa out/nov 2017

Municípios Satisfatório

%

Municípios em Alerta

%

Municípios em Risco

%

Norte

RO

52

52

15

28,8

30

57,69

7

13,4

AC

22

0

0

0

0

0

0

0

AM

62

13

9

69,2

4

30,77

0

0

RR

15

13

3

23,1

7

53,85

3

20,00

PA

144

87

42

48,3

38

43,68

7

4,86

AP

16

13

11

84,6

1

7,69

1

6,25

TO

139

27

23

85,2

3

11,11

1

0,72

Nordeste

MA

217

216

109

50,5

93

43,06

14

6,4

PI

224

188

148

78,7

37

19,68

3

1,3

CE

184

181

124

68,5

49

27,07

8

4,3

RN

167

165

22

13,3

73

44,24

97

58,08

PB

223

223

56

25,1

113

50,67

54

24,2

PE

184

182

50

27,5

88

48,35

44

23,9

AL

102

69

23

33,3

35

50,72

11

10,7

SE

75

72

25

34,7

41

56,94

6

8

BA

417

265

81

30,6

124

46,79

60

14,3

Sudeste

MG

853

814

618

75,9

178

21,87

18

2,1

ES

78

63

39

61,9

23

36,51

1

1,2

RJ

92

88

67

76,1

21

23,86

0

0

SP

645

520

455

87,5

65

12,50

0

0

Sul

PR

399

158

78

49,4

68

43,04

12

3

SC

295

7

4

57,1

3

42,86

0

0

RS

497

257

212

82,5

35

13,62

10

2

Centro- Oeste

MS

79

0

0

0

0

0

0

0

MT

141

0

0

0

0

0

0

0

GO

246

246

236

95,9

10

4,07

0

0

DF

1

0

0

0

0

0

0

0

5.569

3.919

2.450

62,5

1.139

29,06

357

9

Fonte: Ministério da Saúde e Fields360, com Redação