Plástica popular: consulta estética com equipe de Pitanguy

Dando continuidade à série sobre consultas populares que Vida & Ação iniciou na segunda-feira, mostramos hoje um serviço de excelência em cirurgia plástica a custo zero ou pela metade do preço. Mesmo após a interdição da  Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro em 2013 pela Vigilância Sanitária, o serviço de cirurgia plástica criado por Ivo Pitanguy para atender, principalmente, pessoas de baixa renda, com a necessidade de realizar cirurgias reparadoras, manteve o atendimento prestado.

A Enfermaria do 38º andar, local onde por muitos anos o renomado médico  conduziu o serviço social de cirurgias plásticas, tem as condições necessárias para continuar realizando a triagem e os procedimentos pós-operatórios. As cirurgias reparadoras, realizadas em paciente com problemas genéticos, acidentes, queimaduras e outros, e as cirurgias estéticas (abdominoplastia, face, mamas, retirada de excesso de pele) desde 2014 são realizadas no Hospital da Gamboa.

Desde a mudança, a equipe médica também passou a atender a comunidade da região. São feitos 400 atendimentos por mês e entre 60 e 70 cirurgias. A fila de inscritos é de aproximadamente três mil pessoas, sendo que 70% dos casos são para daquele que buscam por cirurgia reparadora.  O serviço poderia ter uma abrangência ainda maior se tivesse mais visibilidade.

As cirurgias reparadoras não têm custo algum para o paciente, nem mesmo as consultas são pagas. O material cirúrgico, anestesia, medicamentos, curativos e tudo mais que é necessário são custeadas por meio dos recursos obtidos pelos tratamentos estéticos.   Já a consulta para cirurgia estética é fixada em R$ 70. O custo do tratamento depende do tipo de operação e condições clinicas do paciente. Contudo, em média, o investimento final é 50% menor do que é praticado no mercado por cirurgiões gabaritados.

Desde a interdição da Santa Casa, houve uma queda significativa da procura por intervenções estéticas da ordem de 70%. Com a morte do professor Pitanguy, a procura caiu mais 50%.  Por isto, é importante que as pessoas saibam que o serviço continua vivo, graças ao esforço de professores e dos alunos dispostos a manter o legado do Pitanguy.

Equipe formada por graduados e acadêmicos

Durante os últimos dez anos, o serviço de cirurgia plástica da Santa Casa de Misericórdia ajudou a escrever histórias emocionantes de gente que recuperou a autoestima, de acidentados que puderam ter uma qualidade de vida melhor, de pessoas que resgatam dia a dia suas identidades. O legado do Pitanguy se faz presente também a trajetória dos pós-graduandos. Tem gente de todas as partes do Brasil e do mundo.

O corpo clínico, responsável pelo paciente desde o acompanhamento psicológico, pré-operatório, pela cirurgia e atendimento pós-operatório, é formada por cirurgiões plásticos já graduados e que cursam o último ano do curso de pós-graduação, também criado por Pitanguy em 1953. A pós-graduação é uma das mais reconhecidas do mundo.

Mesmo sendo cirurgiões graduados e cursando o último ano da pós-graduação, os médicos só operam com a supervisão de um dos professores do curso. Esses docentes trabalham voluntariamente nessa função de supervisionar os alunos durante as intervenções.

Criada e chancelada pelo doutor Ivo Pitanguy, a pós-graduação é um curso da grade do Departamento de Cirurgia Plástica da PUC-RJ e do Instituto de Pós-Graduação Médica Carlos Chagas e já formou cerca de 550 alunos de mais de 40 países.

O curso, que conta com 25 professores, e o Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa são coordenados pelo professor Francesco Mazzarone. Ele recebeu a missão do próprio Pitanguy em vida. Mazzarone trabalhou por 10 anos como braço direito do médico, bebendo direto da fonte.

O atendimento é feito por ordem de chegada, às terças-feiras e quintas-feiras, das 8h às 12h na Santa Casa de Misericórdia – Rua Santa Luzia, 206 – Enfermaria 38º andar.