Exclusivo: ídolo do Botafogo revela luta para vencer o alcoolismo

O jogador Mendonça com o psiquiatra Jorge Jaber: programa de tratamento deve durar três meses (Foto: Divulgação)

O jogador Mendonça com o psiquiatra Jorge Jaber: programa de tratamento deve durar três meses (Foto: Divulgação)

Do sucesso nos gramados nas décadas de 1970 e 1980 às graves consequências do alcoolismo. Há mais de dois meses, o ídolo do Botafogo Milton Mendonça, de 60 anos, está internado na Clínica Jorge Jaber, em Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio, para se tratar da dependência do álcool que quase o levou à morte. No local, em meio às mensagens de incentivo de torcedores e às visitas de amigos, familiares e admiradores, o jogador cumpre uma rotina com cinco refeições diárias, terapias e exercícios na academia e no gramado.

“Mendonça chegou aqui em cadeira de rodas e já  está dando suas corridinhas”, revela José Veríssimo, chefe de clínica da Clínica Jorge Jaber. “Ele teve encefalopatia hepática, por abuso de álcool,  o que causa dificuldade de raciocínio, lentidão, mas está evoluindo.  Deverá permanecer  internado por pelo menos mais um mês, sendo submetido ao programa de 12 passos do AA (Alcoólicos Anônimos) e terapia cognitivo-comportamental”, explica.

Em maio deste ano, o ex-atleta ficou internado no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, na Baixada Fluminense, com problemas na região abdominal. Depois, passou um mês e meio no Hospital Municipal de Acari. Estava com vários  problemas clínicos  e ficou 25 dias no CTI de lá, com quadro grave de cirrose hepática.

Vídeo exclusivo com mensagem do ex-jogador aos torcedores do Botafogo e outros clubes, onde fala sobre o tratamento:  

Amigo e “rival” no Flamengo possibilitou a internação

O jogador tem recebido visitas, de Adílio, amigo e rival, de Fred, irmão de Paulo Cesar Caju, e até do prefeito Marcelo Crivella. “Isso tem estimulado o Mendonça”, conta Veríssimo. Aliás, foi o amigo e contemporâneo Adílio, campeão mundial pelo Flamengo em1981, quem fez o ‘meio de campo’ que permitiu a internação gratuita na clínica.

“O Mendonça é meu parceiro desde as categorias de base, nós somos irmãos. Há mais ou menos dois anos e meio tentamos levá-lo, mas não deu certo. Conversei com ele, expliquei, mas ele ‘fugiu'”, contou Adílio ao jornal ‘O Globo’. Segundo Adílio, a família de Mendonça descobriu a situação do alcoolismo quando ele foi fazer os exames para se submeter a uma cirurgia. “Você sabe que nesses casos a gente não pode forçar o cara a ir para a clínica. Um dia, ele precisou fazer uma cirurgia de catarata e viram que ele estava com outros problemas”.

Álcool e drogas: abstinência ou redução de danos?

Em recente visita. o prefeito do Rio entregou uma bíblia a Mendonça e ganhou uma bandeira do Botafogo (Foto: Divulgação)

Em recente visita. o prefeito do Rio entregou uma bíblia a Mendonça e ganhou uma bandeira do Botafogo (Foto: Divulgação)

Prefeito entrega bíblia e ganha bandeira

Botafoguense, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella foi à Clínica Jorge Jaber para visitar Mendonça no dia 6 de agosto. O convite partiu do vereador Felipe Michel, que é amigo e ex-vizinho do jogador na Praça Seca. O prefeito deu de presente para Mendonça uma bíblia. Recebeu em troca uma bandeira do Botafogo autografada pelo ídolo.  E ainda convidou Mendonça para trabalhar em algum projeto social  da prefeitura após a alta médica.

Os dois assistiram juntos pelo celular vídeos com jogadas do craque. O prefeito elogiou a estrutura da clínica e chamou o psiquiatra Jorge Jaber para trabalhar com prevenção à dependência química junto a crianças e adolescentes da rede de ensino municipal. Jaber, que é especialista em dependência química em Harvard, disse que está à disposição. “Meu maior sonho é ajudar crianças carentes a evitar as drogas”.

Um dos momentos lembrados durante a visita foi numa histórica vitória por 3 a 1 sobre o Flamengo. O meio-campista driblou Júnior, do Fla, para fechar o placar no Maracanã em 1981.  O drible ficou conhecido como ‘Baila Comigo’, canção de Rita Lee, sucesso da época. Apesar de nunca ter conquistado um título com a camisa do Botafogo, Mendonça jogou oito anos pelo Glorioso. Foi o 14º maior goleador do clube. Em 342 partidas marcou 118 gols entre 1975 e 1982. Defendeu também a Portuguesa da Ilha, Palmeiras, Santos e Grêmio. E encerrou a carreira em 1996, jogando pelo Barra Mansa.

Da Redação, com assessoria