Herpes zóster: perigo aumenta em quem já teve catapora

Quem já teve catapora na infância, deve redobrar a atenção quando ultrapassa a barreira dos 50 ou 60 anos. É que os idosos estão bem mais suscetíveis a desenvolver Herpes Zóster, doença conhecida no interior do Brasil como cobreiro, que causa dor e muito incômodo. “A cada três pessoas na terceira idade, uma vai ter herpes zóster”, estima o clinico geral e geriatra João Toniolo Neto. Professor da Unifesp, Toniolo esclarece tudo sobre a doença nesta entrevista exclusiva ao canal do Youtube do Vida & Ação, gravada durante a 19ª Jornada Nacional de Imunizações, realizada em agosto de 2017 pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no Hotel Maksoud Plaza (SP).

 

Queda da imunidade facilita doença

Segundo Toniolo, o vírus da catapora para quem já teve a doença fica adormecido no organismo e pode reaparecer quando a imunidade começa a baixar, geralmente a partir da quinta ou sexta década de vida. Na terceira idade, a doença pode voltar e provocar manifestações cutâneas parecidas com as da catapora, porém, se torna muito mais agressiva. Ele explica que diferentemente do herpes simples, o zóster afeta o tórax, o corpo, a região dos olhos e causa muita dor.

Além do período agudo, com dor e queimação, o vírus pode levar a inflamações secundárias, sendo necessário até mesmo internações, com medicação por veia. Mas depois de tratar a fase aguda, que dura em média 10 dias, a lesão pode desaparecer, mas a doença pode evoluir e causar a neurite pós-herpética, causando o que ele chama de ‘dor fantasma’, que pode provocar intensa dor de cabeça, afetar o tórax e ser sensível até ao toque durante longo período, exigindo mais remédios. “Quanto mais idoso, maior é a incidência das complicações”, ressalta.

Vacina contra o vírus

O geriatra afirma que hoje, além de tratamentos antivirais, que são longos, dolorosos e caros, existe a prevenção para o herpes zóster por meio de uma vacina em dose única, disponível há seis anos no Brasil. O imunizante é produzido com o vírus atenuado da vaciela (catapora), 14 vezes mais concentrado e potente, e é geralmente recomendado para pessoas acima de 60 anos, sem idade de limite.

Segundo ele, a vacina contra o herpes zóster é aconselhável, especialmente diante do aumento da população idosa, com 70, 80 ou 90 anos, uma vez que o número de casos da doença vem aumentando proporcionalmente nos últimos anos. A vacina é recomendada tanto para evitar o quadro agudo, quando o quadro crônico de longo prazo. Esta forma de prevenção, no entanto, ainda não está disponível na rede pública.

  • A jornalista Rosayne Macedo viajou a São Paulo para a 19ª Jornada Nacional de Imunizações, a convite da SBIm.