Veganismo: negócios e eventos se espalham pelo Rio

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Para alguns isso não passa de moda, mas para outros é muito mais do que uma opção alimentar, ou um estilo, é uma filosofia de vida. O veganismo vem crescendo de forma significativa no Brasil. Recente pesquisa da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) apontou que, num universo de cerca de 15 milhões de vegetarianos (dados do Ibope), cinco milhões de brasileiros se dizem veganos, ou seja, excluem de seus pratos e de suas vidas qualquer produto que venha de origem animal. Isso vai além da alimentação ((nem carnes, nem laticínios, nem ovos) e inclui vestuário (produtos de couro), cosméticos com secreções animais e produtos que sejam testados em animais, focando na defesa deles e na preservação do meio ambiente. A motivação? Não contribuir com a exploração e sofrimento dos animais.

Para a estudante de nutrição Tamires Queiroz, de 25 anos, o veganismo vai além.“Ele é um dos pilares da minha existência, porque como
filosofia de vida que é reflete meus princípios de empatia, amor ao próximo e a mim mesma e sensibilidade com a dor de todos os seres”, conta. Ela lembra que se alimentava muito mal e dores de estômago e constipação eram comuns. Hoje sua rotina é bastante diferente: “Me alimento muito melhor, planejo minhas refeições com consciência, confiro sempre minha saúde com o acompanhamento de profissional da área, bebo muito mais água e ocasionalmente comemos um junk food vegano, porque essse mercado está se expandindo cada vez mais no Rio graças a Deus”,(risos) diz.

Alguns ainda confundem o vegetarianismo com o veganismo, este engloba todas as áreas, enquanto o vegetarianismo estrito é um tipo de dieta que elimina qualquer derivado animal e pode ter diversos motivos, como saúde, meio ambiente, moda. Pessoas com o pensamento igual ao de Thamires têm sido um público significativo para o comércio no Rio de Janeiro, o número de lojas e feiras voltadas para este negócio tem crescido a cada dia. Este mês foi inaugurado na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade um açougue vegano. O mercado é repleto de carnes vegetais, linguiças, carne moída, hambúrgueres e até bacon,quibe, tudo é claro, sem nada de origem animal. A carta de produtos do Açougue Vegano conta com 16 itens, com preços que vão de R$5,90 a R$ 19.00.

 

Feiras com comida vegana e preço popular conquistam os cariocas
As feiras veganas também têm se espalhado pelo Rio de Janeiro e Região Metropolitana. Uma delas é a feira Vida Liberta, organizada pelos irmãos Goldani, Gustavo e Catarina, em Ipanema, na Zona Sul carioca. Os dois vêm de uma família de médicos e prezam a alimentação saudável e a sustentabilidade do planeta.
“Nossa intenção é oferecer informação e acesso à diversidade. Queremos que as pessoas tenham um dia agradável com brincadeiras e comidas gostosas e, ao mesmo tempo, percam os preconceitos e descubram novos sabores e formas de lidar com o planeta”, explica o engenheiro Gustavo.
“Comida saudável é saborosa. Queremos que as pessoas descubram a vastidão de possibilidades de cardápio. Vamos oferecer uma oficina de germinação de sementes e de sucos vivos saborosíssimos e que dão muita vitalidade. É provar e gostar”, garante a nutricionista Catarina.Confira algumas delas:
Feira Veg Borá – Neste domingo (29) acontece na Associação Atlética de Vila Isabel, a sétima edição da Veg Borá. Mais de quarenta expositores irão levar o que há de mais saboroso no mercado vegano, além de cosméticos, produtos de higiene pessoal e para bebês. A missão da Veg Borá é mostrar para o público que é possível comer bem e barato sem explorar os animais. Na área de gastronomia custa até R$ 20,00.Todos os produtos vendidos na feira são isentos de itens de origem animal.Sucos especiais que refrescam além de contribuem com a beleza dos mais vaidosos, e sorvetes
artesanais com os sabores mais incríveis devem se destacar em meio ao calor carioca. A organização estima que cerca de 1.500 pessoas compareçam. Dez por cento de todo a renda obtida será doada para a ONG Adota Petz, além d ração para cão e gato que será arrecadada durante o evento para o Abrigo da Lazica, instituição que atende animais carentes. A feira tem entrada franca.Feira Vida Liberta – Churrasco de soja, leite vegetal, sorvete de inhame, brigadeiro com tahine, hambúrguer de lentilha são algumas das variedades que a Feira Vida Liberta traz dia 5 de fevereiro, em Ipanema. O evento, no espaço Tâmara, oferece ao público a oportunidade de conhecer novos conceitos em alimentação, com compras diretas do produtor e produtos sem origem animal, embalados por oficinas de sucos para adultos e crianças, de germinação de sementes, aulão de yoga e palestras. Com entrada gratuita, parte da renda com a venda de produtos é destinada ao Santuário das Fadas, um abrigo de animais resgatados, na Serra Fluminense, www.santuariodasfadas.org.

A feira acontece dia 5 de fevereiro, das 11h às 20h, reunindo 21 expositores. Os produtores pedem também doações de 1k de alimento não perecível para o projeto Arrastão de LUZ que dá assistência aos moradores de rua ou 1 kg de ração para ser doada ao Santuário das Fadas. A feira é pet friendly, quem quiser, pode levar seu cachorro. A programação conta com oficinas de yoga, de Leite da Terra – que ensina a germinar sementes e a preparar suco verde, de Agroecologia, que ensina e debate técnicas agroecológicas para o meio urbano, além de palestras sobre PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) e sobre vegetarianismo com a Sociedade Vegetariana Brasileira.

Itacoatiara Vegan – E para os moradores do outro lado da ponte, a feira Itacoatiara Vegan, no dia 12 de fevereiro, no Clube Itacoatiara é a melhor pedida. Além de variedade de comidinhas veganas, o evento terá a palestra sobre mitos e verdades da alimentação vegana com a nutróloga Fernanda de Luca, Yoga com a instrutora Manu Shanta, Oficina do bambolê, para todas as idades (não é necessário levar bambolê), show acústico com Pedro Marzano e campanha de adoção de cães e gatos.

Cinquenta por cento da renda arrecadada será revertida para a construção do abrigo de animais carentes Lar Dog Lar. A coordenadora do evento, Renata Nóbrega conta que apesar do nome, o espaço não vai acolher apenas cães e sim qualquer animal carente. “Vamos fazer esta bioconstrução de maneira sustentável, minimizando o impacto na natureza”.  A feira tem entrada franca.

Por Gisele Alves, jornalista e vegana, com redação do Blog Vida & Ação