Constelação familiar ajuda a ouvir e ser ouvido

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Você já parou para pensar que ao longo da vida repetimos padrões, que são inconscientes, e que muitas vezes não representam nossa verdadeira vontade? Para o alemão Bert Hellinger, pai da constelação sistêmica familiar, isto é absolutamente comum, pois fazemos parte de um sistema, como solar, planetário, entre outros, e o familiar não poderia ser diferente. Assim como herdamos a genética de nossos ancestrais também herdamos suas emoções.

Na Constelação Sistêmica Familiar cada membro da família tem o seu lugar e quando ocorre alguma confusão, mesmo que a nível inconsciente, este emaranhamento vai refletir na vida de algum familiar. “Este emaranhamento ocorre quando incorporamos em nossa vida o destino de outro familiar, seja ele vivo ou falecido, sem estarmos conscientes disto e sem querer. Isto nos faz repetir o destino dos familiares que por algum motivo foram excluídos, esquecidos ou não reconhecidos”, destaca Celma Villa Verde, referência em cursos e atendimento de constelação familiar no Brasil.

A técnica consiste em olhar para aquele familiar excluído e explorar as dinâmicas inconscientes dos relacionamentos, visando resgatar o fluxo amoroso que é possível quando se estabelece a ordem no sistema familiar. “Incluir os excluídos, honrar a ancestralidade, ocupar o próprio lugar e deixar que os outros ocupem o deles, são alguns movimentos curados das nossas imagens familiares internas”, completa Celma, que participou da primeira formação em Constelação Sistêmica no Brasil, em 1998.

Para vivenciar esta experiência na prática, a consteladora Celma Villa Verde, pioneira na aplicação da técnica no Brasil, conduzirá os Workshops Vivências em Constelação Familiar, nos dia 29 e 30 de abril, no Rio de Janeiro e em Niterói. Formada em Assistência Social pela UFF, Celma também é terapeuta do Renascimento, Regressiva, Movimento do Espírito, Terapia, SE–Experiência Somática.

Saiba mais sobre a técnica

Criada há 30 anos pelo terapeuta alemão Bert Hellinger a Constelação Familiar Sistêmica é uma abordagem psicoterapêutica que nos traz clareza a partir da identificação das ordens do amor, que quando identificada torna-nos livres para cumprirmos o próprio destino, podendo assim, ser aplicada em diversas áreas da vida, como relacionamento, saúde, finanças, família, trabalho, etc.

Chamada de Terapia Sistêmica Fenomenológica, a Constelação Familiar é o resultado de anos de estudo de Bert Hellinger. Seu trabalho mostra como forças arraigadas no Sistema Familiar podem ser redirecionadas para o equilíbrio quando membros deste sistema são reconhecidos e respeitados, o resultado disso são transformações de vida surpreendentes.

“A constelação familiar nos permite perceber o que existe realmente de verdade, não só em uma situação específica, mas naquilo que nós estamos sempre em contato, e que devido a padrões repetitivos não temos a capacidade de ver ou sentir de outra forma. Além disso, a constelação traz a tona uma maior clareza acerca dos nossos próprios sentimentos e emoções, e também em relação aos sentimentos e emoções de outra pessoa”, resume Celma.

Veja alguns exemplos das áreas em que a Constelação Familiar pode ajudar:

Ø  Relacionamentos problemáticos no amor, na família, no trabalho e com amigos;

Ø  Brigas familiares sem explicação;

Ø  Grandes decisões que ficam empacadas;

Ø  Superação de conflitos internos e externos, como depressão, ansiedade, medo, etc.;

Ø  Êxito profissional, dinheiro, segurança, promoção;

Ø  Conflitos e golpes de destino em relacionamentos e na família, tragédias e mortes;

Ø  Pais divorciados que querem encontrar o lugar certo para os seus filhos;

Ø  Autossabotagem – permissão de ser feliz e bem-sucedido;

Ø  Fatos marcantes na família que precisam ser encerrados;

Ø  Bullying, doenças frequentes, perda de motivação;

Ø  Problemas no trabalho e muito mais;

Combate à depressão

Doença que afeta milhares de pessoas, a depressão  tem um significado muito maior na visão da Constelação Familiar. Considerada por muitos o mal do século, dentro da técnica este problema está relacionado ao inconsciente coletivo em que cada pessoa está inserida, isto quer dizer que da mesma forma que herdamos a genética de nossos ancestrais, nós também herdamos o​ emocional, como tristezas e​ problemas mal resolvidos.

A depressão é um condicionamento da mente coletiva de que os pais precisam dar o tempo todo, é um desenho estereotipado dos pais perfeitos causando um universo interno de cobranças.  Dentro da dinâmica da Constelação Sistêmica, a qual pode ser feita em grupo ou com bonecos, que atuam como “atores” do nosso sistema familiar, entramos em contato com as próprias emoções e identificamos a crença social que nos faz crer na falta, e com isso interrompe-se um circulo vicioso de repetições desnecessárias, como a depressão.

Prática é uma realidade para resolução de conflitos judiciais

A prática já é uma realidade em sessões de conciliação no Tribunal de Justiça do Rio. A sessão do dia 19 de abril foi a última antes da etapa de estudos sobre o projeto em que os participantes são convidados pela Vara competente aos processos de família para a Constelação como forma de método de apoio extrajudicial e pré-processual. A adesão não é obrigatória.

Foi o juiz André Tredinnick, titular da 1ª Vara de Família do Fórum da Leopoldina quem implantou o Projeto Constelações no TJRJ, depois de conhecer o trabalho em moldes semelhantes desenvolvido no Tribunal de Justiça da Bahia. As palestras e as dinâmicas se baseiam nos estudos do filósofo alemão Bert Herllinger e, no Poder Judiciário, os alvos são as pessoas que já estão com ações na Justiça ou as que pretendem  resolver seus casos extrajudicialmente.

Aos cerca de 40 participantes de uma das sessões, o juiz afirmou que a Justiça dificilmente conseguirá agradas a todas as partes de um processo, e, por isso, a busca, no projeto, é pela “autocomposição”. “O conflito familiar é movido por pulsões emocionais. Elas têm que ser diluídas ou melhor compreendidas para que o conflito tenha tratamento adequado e permanente. O conflito não abordado de forma humanizada, no início, pode se agravar e se multiplicar no sistema judiciário,e, nas varas de família, ele tem a tendência de se repetir”, afirma Tredinnick.

De acordo com o juiz, essa fase de autocomposição é preliminar ao julgamento tradicional e está prevista no Novo Código de Processo Civil (CPC), de 2015. O CPC indica que a parte envolvida no processo familiar tenha acesso à conciliação ou mediação e que sejam apresentadas outras formas de conhecimento para favorecer o acordo. O encontro foi conduzido por Ruth Barbosa, Fabiana Lanke, Fabíola Galvão e Juliana Lopes Ferreira, terapeutas da Associação Praxis  Sistêmica, que executam o projeto do juiz André Tredinnick. Nesse processo, elas assumem o papel de  “consteladoras” e afirmam que os conflitos são brigas pela razão, e que todos que procuram o Judiciário buscam a sua própria felicidade.

“Quando entramos na Justiça, damos ao juiz o poder de decidir. Mas ele não conhece as partes envolvidas no conflito. Então o melhor é trazermos demandas para que o papel do Estado seja fazer cumprir o que podemos resolver antes”, pondera Ruth.

“Hoje me deram voz no Tribunal”

Uma jovem mãe de 27 anos chora emocionada ao pensar no seu papel materno. Um homem, pouco mais velho, imagina diálogos e olhares nunca dirigidos ao próprio pai e fica com os olhos marejados. Ambos estão em uma sala, na companhia de mais nove desconhecidos, participando de uma dinâmica comandada por uma terapeuta. No exercício de representação de conversa entre pais e filhos, as histórias e os sentimentos de cada um são misturados às dos outros, e a comoção é inevitável. Essa é apenas uma parte da sessão de Constelação Familiar (uma técnica psicoterápica de expressão e de conscientização) que aconteceu recentemente no Fórum Regional da Leopoldina.

“Hoje eu estive à vontade para falar o que eu sentia, mostrar o meu sofrimento. Hoje me deram voz no tribunal”, revela a mãe, que trabalha como manicure para sustentar e cuidar do filho de 11 anos. Ela enfrenta um processo na Justiça há três anos contra o ex-companheiro e pai da criança, litígio que envolve as condições de convívio familiar. Se ela ainda se sente ameaçada e pressionada tanto pelo ex-marido, quanto pelo desgaste gerado pelo processo judicial, agora tem a sensação de encorajamento.

“Quando a gente encontra alguém que pode nos ouvir, somos confortados. Todos devemos ter esse direito. Fiquei muito feliz e foi isso que me deixou emocionada”, revela a jovem, que espera ainda que as vontades do filho sejam também consideradas e que as decisões judiciais sigam no melhor caminho para todos. Na Constelação, não é obrigatória a presença das duas partes e os casos individuais não são necessariamente expostos abertamente. A prática se faz por simulações e traz situações comuns em muitas das famílias, para fomentar a busca individual do sentimento.

Depois das constelações, mediação é o próximo passo

“A sociedade já pede uma nova forma de atuação das instituições, inclusive do Poder Judiciário”. Quem afirma é a coordenadora administrativa do Centro Judiciário de Soluções de Conflito e Cidadania (Cejusc) do Fórum Regional da Leopoldina, Vanda Penco. Ela explica que a constelação familiar é um primeiro passo, humanizado, para a resolução dos litígios no sistema de Justiça. As partes são convidadas pela equipe da Vara de Família e a adesão não é obrigatória. A mediação, que pode evitar a judicialização do conflito, só é marcada para, pelo menos, 30 dias após as sessões do Projeto Constelações.

“É o tempo que damos para a pessoa amadurecer, repensar os problemas e chegar mais pronta para o que realmente quer da Justiça”, diz Vanda. A próxima sessão coletiva de Constelação no TJRJ será realizada no dia 19 de abril. Depois, será contabilizado quantitativa e qualitativamente o progresso alcançado pelo projeto desde o ano passado. “O projeto tem uma metodologia bem esclarecida e considerada, e já partiu com a preocupação inicial de levantar dados. Sabemos que o índice de acordos é superior ao do sistema tradicional de julgamentos, mas temos que estudar quanto tempo esse acordo permanece para que os casos não voltem ao Judiciário”, esclarece o juiz André Tredinnick.

O Projeto Constelações é desenvolvido pelo Cejusc do Fórum Regional, em parceria com a Associação Práxis Sistêmica, que oferece o trabalho de quatro consteladoras e atua no TJRJ. A coordenação do projeto é do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec).

 

Workshop Vivências em Constelação Familiar

Rio de Janeiro

Data: 29 de abril

Horário: 9h às 17h.

Local: rua Martins Ferreira 30 Botafogo.
Informações e Inscrição: (21) 2619-4675

Investimento: R$ 80,00 e R$ 580,00 para quem for constelar

Niterói 

Data: 30 de abril

Horário: 14h às 17h.

Local: rua Lopes Trovão 318 sala 1301. Icaraí – Ed. Stadium.
Informações e Inscrição: (21) 2619-4675

Investimento: R$ 80,00 e R$ 580,00 para quem for constelar

 

Fonte: Celma Villa Verde e TJ-RJ