Nova cola cirúrgica sela órgãos em até 60 segundos

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Imagine poder fechar uma ferida em menos de um minuto? Conhecida como MeTro, chega ao Brasil uma nova cola cirúrgica capaz de selar órgãos e ferimentos em até 60 segundos. O material é feito de proteína humana e dispensa o uso dos pontos tradicionais. Foi desenvolvida por cientistas da Universidade de Sydney, na Austrália, e de cientistas da Northeastern University e da Harvard Medical School.

A nova cola cirúrgica assemelha-se a um gel. Após a ferida receber a aplicação é coloca sob luz ultravioleta para secagem. O material é biodegradável, o que reduz o risco de rejeição. Os pesquisadores afirmam que a novidade poderá ser empregada em hospitais dentro de três a cinco anos. No Rio de Janeiro, alguns hospitais como o Gaffrée Guinle já possuem esse produto.

“Nesse momento estamos desenvolvendo pesquisas no sentido de melhorar a aplicação”, ressalta o cirurgião plástico Ricardo Cavalcanti Ribeiro, chefe do Setor de Cirurgia Plástica do Hospital Universitário Gaffrée Guinle. Segundo ele, essa é a primeira cola feita de material humano, o que é uma grande vantagem.  “A perspectiva é muito boa porque essa cola vai poder ajudar a salvar vidas”, destaca.

Dr. Ricardo afirma que esse tipo de procedimento pode ser usado em qualquer cirurgia, devendo ser realizado preparo e ser aplicada por profissionais treinados. As áreas dos olhos e couro cabeludo devem ser evitadas. A cola custa de R$ 150 a 600, dependendo da marca e apresentação.

Aumento no uso de PMMA e o risco para a saúde

O uso indiscriminado de outro material, porém, vem tirando o sono dos médicos. Dr Ricardo alerta para o crescente número de pessoas que aplicam indiscriminadamente no corpo o polimetilmetacrilato (PMMA), que é composto de microesferas de um material que lembra o plástico. Também diretor do Instituto Carlos Chagas, ele participou há alguns meses de um documentário para o Canal TLC sobre os riscos do uso estético desse produto.

Usado para o preenchimento corporal, o produto é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas é indicado para aplicação em regiões específicas e em pequenas quantidades, como no caso de paciente com HIV, que podem sofrer deformidades no corpo e no rosto por causa da doença e da medicação.

Entretanto, o produto oferece uma série de complicações a médio e longo prazo e seu uso não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, quando usado com finalidade estética. Segundo a entidade, 17 mil pessoas fizeram uso do produto no país em 2016 e sofreram deformidades e problemas sérios de saúde como consequência.

Fonte: Gaffrée Guinle