Mulheres que bebem demais correm mais risco de câncer de mama

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Uma pesquisa inédita feita com beneficiários de um plano de saúde do Rio de Janeiro revelou que o consumo excessivo de álcool está relacionado ao câncer de mama. De acordo com o estudo, realizado ao longo de dez anos, as mulheres que consomem álcool por tempo e quantidade excessivos têm duas vezes mais chances de desenvolver a doença.  A pesquisa também mostrou relação entre obesidade e o desenvolvimento de câncer de ovário. Ao todo, 26% das beneficiárias avaliadas que apresentaram este tipo de câncer, também estavam obesas.

O estudo levou em conta os hábitos de quase 19 mil beneficiários do plano de saúde de autogestão Capesesp (Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde) durante 10 anos. Foi investigada a associação do câncer a fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, etilismo (consumo de álcool), exposição excessiva ao sol, sobrepeso e obesidade. Foram avaliados 4.685 beneficiários com diagnóstico positivo de câncer e outros 14.055, sem diagnóstico, para base de comparação (três casos negativos para cada positivo, com mesma idade e gênero).

“Ao longo do histórico do plano, verificamos o que aconteceu com as pessoas pesquisadas, se tiveram algum tipo de câncer ou não. Aqueles que tiveram câncer foram comparados com quem não teve câncer e verificado se o fator de risco poderia ou não estar relacionado à doença”, explica a médica Juliana Busch, que também é uma das autoras da pesquisa e Gerente da Assessoria de Estratégias e Informações Institucionais da Capesesp.

Foi reforçada a contribuição do tabagismo para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer: 62% dos que disseram estar expostos ao fumo, apresentaram câncer de pulmão; 69% câncer de laringe e 73,5% câncer de esôfago. Os tipos de câncer mais comuns nos homens foram próstata (36,4%) colorretal (6,8%), rim (4,1%) e bexiga (3,8%). Nas mulheres, mama (28,3%), tireóide (7,3%), colorretal (7,0%), pulmão (2,5%) e ovário (2,4%).  O estudo foi apresentado durante o Congresso Europeu da ISPOR – Sociedade Internacional de Farmacoeconomia e Desfechos, realizado em Glasgow, Escócia, de 4 a 8 de novembro de 2017 (www.ispor.org).

“Além de corroborar dados que já estamos familiarizados e auxiliar na conscientização, este estudo também possibilita a gestão da oncologia, com direcionamento de esforços e investimentos para perfis e hábitos, permitindo uma intervenção prematura”, ressalta o presidente da Capesesp e vice-presidente da Unidas, João Paulo dos Reis Neto. “No fim, um acompanhamento constante aliado a bons hábitos continuam sendo os melhores remédios. Nas autogestões, investimos muito em iniciativas de prevenção e campanhas que podem ajudar a evitar problemas decorrentes desses fatores de risco. O estudo é mais um reforço e um norte para os planos e também para os beneficiários”, complementa.

Fonte: Unidas, com Redação