Alzheimer: 8 mitos e verdades sobre a doença

Todo Alzheimer começa com a perda de memória. A doença sempre tem origem hereditária. Apenas idosos podem sofrer de demência. Esses são alguns mitos como estes se espalham por aí, dificultando ainda mais o esclarecimento da população, bem como o diagnóstico e o correto manejo da doença. E sim, o Alzheimer ainda permanece incurável, apesar de importantes avanços no tratamento. Neste Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença de Alzheimer (21 de setembro), esclarecemos algumas informações que podem confundir na hora de se identificar a doença.

A homeopata e naturopata Simone Neves, diretora do La Residence – Centro Residencial Geriátrico, explica que o mal de Alzheimer ou demência de Alzheimer é uma síndrome de instalação lenta e progressiva, que muitas vezes passa despercebida em estágios iniciais. É comum o paciente idoso com demência em fases precoces ter suas alterações tratadas como “coisas normais do envelhecimento”.

 Embora as causas ainda não sejam bem conhecidas, atribui-se a fatores genéticos, em específico o polimorfismo do Gene Apoe, fatores ambientais e estilo de vida os desencadeadores da doença de Alzheimer. Certamente a idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, entretanto outras variáveis podem contribuir para o seu aparecimento como o tabagismo, história familiar de Alzheimer e diabetes.  Junk food (comida lixo) muito rica em açúcares rápidos e gorduras saturadas, é cada vez mais colocada em questão para o desenvolvimento da doença. Um conceito recente seria, o diabetes tipo 3 que caracterizaria  a doença de Alzheimer.

“O fato é que com o aparecimento do conceito da Epigenética, sabemos que não somos reféns da hereditariedade, sendo esse fator responsável por 20% a 30% do aparecimento da doença e os outros 70 a 80% é atribuído ao estilo de vida”, diz Simone, que é formada em Fisioterapia. Uma ótima noite de sono, a prática de atividades físicas, alimentação através de ” comida de verdade”, e atividades que exercitem o cérebro são fundamentais para manter o corpo e a mente sãos e em pleno funcionamento, já que o que existe de medicação no mercado farmacêutico apenas tende a controlar os sintomas e não traz a cura, pois esta doença é de curso inexorável ‘

Ainda segundo ela, a terapia ocupacional é fundamental para que essa pessoa acometida pela doença, saia do isolamento social e consiga realizar uma integração com as demais pessoas ao seu redor.  O segredo da longevidade saudável  consiste em obter saúde com ótimos hábitos de vida, para mais tarde não ter que se ocupar tratando a sua doença.

A diabetes do cérebro

O mal é comparado a um diabetes que ocorre no cérebro. A comparação pode parecer estranha, mas é a conclusão de vários pesquisadores que estudam como a demência mais comum do mundo se desenvolve. Responsável por cerca de 60% desses casos, o Alzheimer é caracterizado por um processo de inflamação gerado pelo acúmulo de toxinas no cérebro. Esta inflamação é ocasionada, em grande parte, pela resistência à insulina, hormônio que, além de regular a quantidade de glicose no sangue, é importante para proteger os neurônios e manter a memória.

Estas toxinas, se acumuladas, costumam desencadear um quadro de demência, estão presentes em todos, porém “adormecidas”. O que ocorre é que elas passam a se multiplicar no cérebro de muitas pessoas, à medida que elas envelhecem. Elas atacam as conexões entre os neurônios, o que ocasiona a perda de memória. E um importante agente para evitar o acúmulo dessas toxinas é justamente a insulina. Seria por isso, portanto, que os diabéticos — que têm resistência a essa substância — têm mais tendência a desenvolver Alzheimer.

“Assim como no diabetes, no mal de Alzheimer as pessoas também resistem à insulina. Nas duas doenças, há processos inflamatórios. Na primeira, o processo ocorre no corpo, e na segunda, no cérebro. Por isso fazemos a analogia entre elas”. A partir disso, é possível concluir que evitar o desenvolvimento de diabetes ajuda a evitar demência. No entanto, ressalto que nem todos os diabéticos desenvolvem, automaticamente, um quadro deAlzheimer. Além disso, o mal tem outras causas que não a resistência à insulina.

Segundo ela, pacientes que têm diabetes têm um risco aumentado de ter Alzheimer. “Mas não são todos os que de fato desenvolvem a doença, talvez porque alguns têm uma característica genética que torne o cérebro protegido. Mas ainda realmente não se sabe porque alguns diabéticos têm Alzheimer e outros, não apresentam”, destaca.

Formas de diagnóstico

O diagnóstico definitivo da doença de Alzheimer é feito com biópsia do tecido cerebral, o que, por razões óbvias, é raramente realizado na prática clínica. Em mais de 90% dos casos, o diagnóstico é baseado em dados clínicos; análises de sangue e exames de imagens ajudam a descartar outras causas de demência, mas não estabelecem o diagnóstico de doença de Alzheimer. Da mesma forma, exames de imagem, como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada do crânio também não ajudam a fechar o diagnóstico.

Existem testes simples para documentar e acompanhar alterações da capacidade mental dos pacientes. O mais famoso e usado é o mini-mental, que é um questionário de 30 questões agrupadas em 10 seções, na qual as seguintes características são avaliadas:

– Orientação espaço-temporal (capacidade de reconhecer onde está e em que data estamos).

– Capacidade de atenção, concentração e memória.

– Capacidade de abstração e realização de cálculos simples.

– Linguagem e percepção visual-espacial.

– Capacidade de seguir instruções básicas.

Mitos e verdades

Confira oito ‘Mitos e Verdades’ sobre a doença, preparados pelo EuroImunn, laboratório especializado no diagnóstico de doenças autoimunes, infecciosas, alergias e genéticas.

  1. Alzheimer é uma doença genética

MITO. Apenas 2% a 5% dos casos de Alzheimer são causados por mutação genética, e mesmo assim sem correlação de hereditariedade. A maioria das desordens mentais, como o Alzheimer, são aleatórias e o fator de risco mais importante é a idade.

2. O primeiro sintoma da doença de Alzheimer é a perda de memória.

MITO. A perda de memória é um sinal comum do Alzheimer mas nem sempre é o sintoma inicial. A dificuldade de linguagem, desorientação no tempo e espaço, alterações de comportamento e humor e dificuldade de planejamento são em muitos casos os primeiros sintomas da doença.

3. Nem todos os problemas de memória são devido ao Alzheimer

VERDADEIRO. O Alzheimer é apenas uma das doenças que podem afetar a memória. O estresse, depressão, diabetes, doença da tireóide e outras demências como Doença de Parkinson e esclerose múltipla, podem afetar a memória.

4. Mulheres têm mais chance de desenvolver Alzheimer

VERDADEIRO. A doença de Alzheimer afeta duas vezes mais mulheres que os homens! O fato é que as mulheres vivem mais que os homens e um dos principais fatores de risco da doença é a idade.

5. Demências são consequências do envelhecimento

MITO. Primeiro devemos explicar que demência não significa loucura. Demência é um quadro diagnóstico cujo paciente apresenta perda cognitiva progressiva. As demências não são consequência do envelhecimento, apesar de comum, as demências não fazem parte do envelhecimento normal.

6. O diagnóstico do Alzheimer é muito difícil

FALSO. Não existe um único critério específico e confiável para o diagnóstico de Alzheimer, mas uma combinação de testes, e todos disponíveis na medicina laboratorial. A combinação de anamnese, perfil neuropsicológico, imagens cerebrais e biomarcadores de líquor (proteína total tau, tau fosforilada, Beta-amilóides 1-40 e 1-42) diferenciam o Alzheimer de outras demências ainda no estágio inicial da doença. Esses testes estão todos disponíveis no Brasil atualmente, converse com seu médico.

7. A doença de Alzheimer não tem cura.

VERDADEIRO. Apesar de não ter cura, alguns tratamentos podem retardar a evolução da doença e minimizar os sintomas. Por isso o diagnóstico precoce é um importante aliado para retardar a progressão da doença.

8. É possível evitar o Alzheimer

PARCIALMENTE VERDADEIRO. Atividades cognitivas, alimentação saudável e exercícios físicos apesar de não impedirem o desenvolvimento da doença, contribuem para retardar o início e o aparecimento dos sintomas.
Fontes: EuroImunn e Simone Neves