7 informações importantes sobre o câncer

O câncer é, hoje, a segunda causa de mortes no País, superado apenas por doenças cardiovasculares. O número de óbitos no país em decorrência do câncer aumentou 31% desde 2000 e chegou a 223,4 mil pessoas por ano no final de 2015. As estimativas foram publicadas recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo dados da OMS, no início do século, 152 mil brasileiros morriam por ano da doença. Ao final de 2015, essa taxa chegou a 223,4 mil. Entre os tumores, o maior responsável pelas mortes é ocâncer no sistema respiratório, com 28,4 mil casos em 2015. O câncer de cólon foi o segundo maior responsável por mortes, com 19 mil. Em terceiro lugar vem o tumor de mama, com 18 mil mortes em 2015 no Brasil.

A oncologista da Oncoclínica Centro de Tratamento Oncológico (RJ), Natália Nunes  traça um panorama sobre diagnóstico e tratamento oncológicos, falando, também, de dieta exercícios e bem-estar.

  1. Diagnóstico e início do tratamento de câncer

Na verdade, não temos definido um “tempo máximo” que possamos esperar com segurança para iniciar algum tratamento oncológico. O que sabemos é que, antes decomeçarmos a tratar o câncer, é preciso avaliar o paciente para que seja planejado qual será o melhor tratamento para o caso dele. Essa análise feita a partir de conversa com o paciente tem o objetivo de averiguar o estado geral do paciente (como ele está, como a doença afeta a saúde do paciente, se ele tem outras doenças e qual impacto dessas doenças na saúde do paciente, entre outras coisas), além de ser necessária a realização de alguns exames, tanto laboratoriais quanto de imagem (tomografias, por exemplo). Uma vez definida qual a melhor abordagem para tratar o paciente, é iniciado o tratamento.

É também importante lembrar o tempo para início do tratamento aprovado em 2013. Conforme a lei, o prazo máximo dias para começo de tratamento oncológico no SUS é de 60.

  1. Terapia

É importante que ter em mente que o câncer não é uma única doença, e, portanto, não tem um tratamento padrão. Um paciente com câncer de mama tem uma doença diferente de um paciente com câncer de próstata ou de pulmão, com tratamentos e abordagens específicas para cada caso. Mesmo pacientes com mesmo o diagnóstico, por exemplo, câncer de mama, podem ter doenças com características próprias e, logo, com terapias totalmente diferentes entre si. Portanto, é importante procurar um médico especialista quando se tem esse diagnóstico. De forma geral, uma vez feito o diagnóstico de um câncer de um determinado tipo, é preciso, inicialmente, estadiar o paciente, o que significa fazer exames para identificar se a doença do paciente está restrita ao órgão no qual ela começou (chamado de sítio primário, ou seja, para um paciente com diagnóstico de câncer de próstata, é preciso saber se a doença está apenas na próstata); ou se a doença é metastática para outro órgão ou estrutura, o que significa que o tumor do paciente não está mais apenas restrito ao sitio primário, isto é, que a doença está presente em outros lugares (pelo mesmo exemplo, é chamada doença metastática um tumor de próstata com lesões nos ossos pelo câncer).

Isso é importante para que seja indicado o melhor tratamento para aquela fase da doença, que pode ser quimioterapia ou algum outro tipo de tratamento oncológico, radioterapia, cirurgia ou alguma abordagem associada (como quimioterapia junto com radioterapia e depois cirurgia, por exemplo). Na maioria dos pacientes, o tratamento envolverá, em algum momento, três especialistas: o cirurgião, o radioterapeuta e o oncologista – que trabalham em conjunto para a melhor terapia para aquele paciente e planejam quais serão as etapas detratamento de forma individualizada para aquele caso.

  1. Tipos de tratamento:

O tratamento do câncer pode ser feito através de

Cirurgia: Envolve tanto a retirada do órgão acometido pela doença como tratamento de complicações que podem ser causadas pelo câncer. Será avaliada pelo cirurgião tanto se a cirurgia é indicada (ou seja, se para aquele caso a cirurgia é o melhor a ser feito para o paciente) quanto como será a cirurgia.

Quimioterapia e outros tratamentos oncológicos: A quimioterapia indicada vai variar de doença para doença. O objetivo dela é atacar as células do tumor, mas para fazer isso, muitas vezes, células normais do corpo também podem ser atacadas, levando a efeitos colaterais. A maior parte das quimioterapias é aplicada no paciente de forma intravenosa. Contudo, também existem drogas que podem ser usadas por via oral. Existe, além da quimioterapia, outros tipos específicos de tratamentos oncológicos que também têm por objetivo impedir que as células da doença continuem crescendo. Essas drogas podem ser feitas junto com a quimioterapia ou não, e podem ser feitas de forma oral ou venosa. É o que o médico oncologista chama de terapia alvo, hormonioterapia e imunoterapia.

Radioterapia: A radioterapia usa radiação direcionada para destruir ou impedir que células tumorais continuem crescendo. É um tratamento localizado, ou seja, vai tratar uma determinada região do corpo. Pode ou não ser feita em conjunto com quimioterapia. Existem diferentes tipos de radioterapia, que são indicadas dependendo do caso do paciente.

4. Efeitos do tratamento:

Assim como cada câncer é uma doença diferente, cada quimioterapia é uma droga diferente, com desiguais efeitos colaterais. Além disso, decorrências colaterais podem variarde pessoa para pessoa. Falando genericamente, os efeitos colaterais mais importantes da quimioterapia são as alterações em células do sangue, ou seja, a quimioterapia pode causar anemia, baixar as contagens de plaquetas e diminuir as células de defesa do paciente. Por isso, antes de cada quimioterapia, o oncologista solicita um hemograma para analisar se está tudo dentro da normalidade e para orientar o paciente.

Algumas quimioterapias também levam à queda de cabelos, o que é chamada de alopecia. A queda de cabelo é apenas durante o tratamento. Uma vez terminada a quimioterapia, o cabelo volta a crescer.

Outros sintomas, como enjoo e vômitos, aftas, diarreia, prisão de ventre e ressecamento de pele, podem ocorrer. Para cada um desses efeitos colaterais, há remédios para tentar melhorar essas implicações e a maioria dos pacientes hoje em dia leva bem o tratamento, com efeitos colaterais controlados ao longo da terapia.

Os efeitos colaterais do tratamento são manejados com remédios, que são usados tanto para prevenir quanto para tratar sintomas. Além disso, mudanças no estilo de vida, como realização de atividades físicas, meditação, mudanças de dieta entre outros, podem melhorar os efeitos colaterais do tratamento.

  1. Dieta

Não existem evidências científicas fortes de que ingerir determinado alimento vai auxiliar especificamente no controle ou tratamento do câncer, mas mudanças na dieta podem auxiliar no controle de efeitos colaterais, melhorar o ânimo e dar mais energia ao paciente. Assim, a avaliação do nutricionista antes e durante tratamento é bastante importante. Deforma geral, recomendo bom senso e que o paciente se alimente de forma mais saudável possível.

  1. Atividade física

Se não houver nenhuma contraindicação médica, o exercício físico não é apenas permitido, como aconselhado. Atividade física melhora alguns efeitos colaterais associados ao tratamento e aumenta disposição do paciente. A atividade recomendada vai depender se o paciente era sedentário anteriormente ou não. Aconselho para os pacientes sem nenhuma contraindicação médica e sedentários anteriormente que comecem com uma atividade aeróbica, como caminhada e, de preferência, sob supervisão de um profissional de educação física.

  1. Melhor bem-estar do paciente durante o tratamento

Minhas principais dicas são que o paciente se mantenha confiante, junto das pessoas que você gosta e fazendo atividades e programas que tragam prazer durante o período detratamento. É importante encontrar um médico que você confie e que consiga tirar suas dúvidas. Com internet, o paciente é bombardeado por informações que muitas vezes são inverídicas ou imprecisas, gerando muita ansiedade. Não tenha medo de tirar suas dúvidas. Realizar atividades que relaxem para tentar aliviar a ansiedade que tanto o diagnóstico como o tratamento causam ao paciente é muito importante. Acompanhamento não só medico, mas psicológico e nutricional fazem muita diferença para o paciente e devem ser buscados sempre que possível.

Fonte: Oncoclínicas